sábado, outubro 13, 2007

::Vivendo e aprendendo::


himeneu
Acepções
■ substantivo masculino
1 enlace matrimonial; casamento
2 bodas, festa de núpcias

Etimologia
gr. huménaios,ou 'canto nupcial; matrimônio'; ver himen(o)-; f.hist. 1572 hymeneo (Fonte: Dicionário Houaiss / deparei-me com essa palavra num conto de Sade)


::Sábias Palavras::


"Everybody is somebody's fool"
Orson Welles em A Dama de Shangai


::My headphones saved my life::


I see who you are - Björk

I see who you are
Behind the skin
And the muscles

I see who you are, now
And when you get older later

I will see the same girl
The same soul
Lioness, fireheart
Passionate lover

And afterwards
Later this century
When you and I have become corpes

Let's celebrate now all this flesh on our bones
Let me push you up against me tightly
And enjoy every bit of you


::Divagações no Escuro::


Welcome to São Paulo

Lembro que quando saí da exibição de Paris, te amo, na Mostra do ano passado, pensei que seria muito interessante se fizessem um filme como aquele sobre Sampa. Algum tempo depois descobri que não fui só eu que pensei nisso, e que o filme já estava quase pronto. Bem - vindo a São Paulo reúne também vários curtas sobre a cidade da garoa, porém, sem um tema em comum, e então, o que faz a ligação entre os curtas é uma espécie de narração, em imagem e som, na voz de Caetano Veloso.
Já no começo percebo o tom do desastre, a história da cidade é contada, do descobrimento aos dias de hoje, passando pelos bandeirantes, é claro, acompanhada da imagem que vai do mar, subindo a serra, até chegar ao nossa planalto, e o texto parece ter saído de um livro de história da quarta série do ensino fundamental. "Extrativismo"? Logo no começo de um filme, soltar essa palavra, é a prova do didatismo que se seguirá.
Com exceção de dois ou três curtas, como o da Daniela Thomas, que filma lindamente o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão, todos os outros esquecem que existe uma coisa chamada sutileza, e vão bem direto aos clichês sobre metrópoles: solidão, desperdício, pobreza, trânsito intenso, miscigenação, correria e por aí vai. E, apesar de ficar claro que São Paulo é imensa, quase não se vêem os bairros, vemos o centro velho, o centro novo e algumas imagens de bairros próximos.
Sinceramente, acho que Caetano Veloso não teve nada a ver, ele não tem sotaque de paulista e dá as boas vindas aos que aqui chegam, apenas aos que chegam, porque o filme não é para os que aqui vivem. A expressão "para gringo ver" encaixa-se perfeitamente aqui, e eu até duvido que seja uma propaganda boa,o filme é deprimente.
Num determinado momento ficamos sabendo que numa votação para escolher a música que melhor representa a cidade ganhou Trem das Onze e, em segundo lugar, Sampa, mas o que ouvimos, incansavelmente, é a segunda, e a primeira vem como um alívio ao final, uma redenção pelo filme todo, um prêmio de consolação...

segunda-feira, outubro 01, 2007

::My headphones saved my life::


Age Of Consent - New Order

Won't you please let me go
These words lie inside they hurt me so
And I'm not the kind that likes to tell you
Just what I want to do
I'm not the kind that needs to tell you
Just what you want me to

I saw you this morning
I thought that you might like to know
I received your message in full a few days ago
I understood every word that it said
And now that I've actually heard it
You're going to regret

And I'm not the kind that likes to tell you
Just what you want me to
You're not the kind that needs to tell me
About the birds and the bees

Do you find this happens all the time
Crucial point one day becomes a crime
And I'm not the kind that likes to tell you
Just what I want to do
I'm not the kind that needs to tell you

I've lost you

::Dançando Almodóvar::


O espetáculo ¿Por que no hacemos cine? da Cia. Lambe-Lambe de Teatro e Afins/Núcleo Cinematográfico de Dança se propõe a dançar o desejo como colocado nos filmes de Almodóvar, cineasta que filma as mulheres como não se fazia desde Godard. O resultado é de tirar o fôlego, quatro bailarinos belíssimos, três mulheres e um homem, desde o começo, com tesudíssimas palavras clamadas em espanhol, bailam seus corpos com um desejo que se pode sentir no ar, são cenas e mais cenas de ficar boquiaberto, inusitados vídeos são projetados ao fundo enquanto a lei do desejo impera e ata-te na poltrona, não vá pensando que são maus hábitos, nem que é má educação, são labirintos de paixões que não cessam de volver.
Apenas de 4 a 7/10 eles estarão em cartaz no CCSP, quinta a sábado, às 21h e domingo, às 20h, na Sala Jardel Filho.

::Redescobrindo Legião Urbana::


"Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também."

"Já estou cheio de me sentir vazio" (Baader Meinhof Blues)

Certo, fanatismos à parte, eu assumo e, realmente, concordo, que Legião Urbana é uma mistura de The Smiths com uma espécie de religião, suas letras foram feitas para serem entoadas em alto volume, por jovens utópicos, sedentos da mudança, decepcionados com o mundo e o sistema, a guitarrinha é igual a do Johnny Mars e as letras são melhores que as melodias...
Mas...
E daí?
Eu adoro cantar músicas bem alto, gritando, sentindo aquela dorzinha no peito sendo, pelo menos um pouco, exorcizada, mesmo que por um momento. Ai que felicidade cantar, com muita falta de ar asmática, gesticulando e pulando, os vários minutos de Faroeste Caboclo, ou teatralizar uma tristeza incompreensível nos onze minutos de Metal contra as nuvens!
Sim, quer saber? Eu sou mesmo utópica, sou mesmo do tipo que acha que pode mudar o mundo, mas "se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era para sempre"? Estou decepcionada com o mundo e com o, dito, "sistema", tenho vinte anos e me acho "A" revolucionária... E daí?
Há cinco anos atrás, porém, eu não encarava as músicas da forma como estou encarando nessa redescoberta. Eu, devo dizer, muito ignorante quanto a muitas coisas, achava tudo aquilo poético e lindo, original e tudo o mais, agora, com um pouco mais de conhecimento adquirido, ainda ignorante, percebo o quanto havia de diagnóstico de uma geração e de um período naquelas letras, e mais, o quanto há de verdade universal, aquele tipo de verdade que diz respeito a todos os seres humanos na face da terra, que pode fazer se reconhecer em muitos e, ao mesmo tempo, nos fazer sentirmo-nos únicos.
Sem contar, é claro, muitas presenças da filosofia nas letras, desde política a estética, passando pela metafísica, pelos mitos gregos e muito mais.
Sim, eu gosto de Legião Urbana, algum problema?

"Filósofos suicidas
Agricultores famintos
Desaparecendo
Embaixo dos arquivos" (Petróleo do futuro)

"Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais"

"Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade." (A Dança)

sábado, setembro 22, 2007

::Amor incondicional?::


Algumas pessoas, não importa o quanto nos magoem, são sempre perdoáveis, relevamos cada detalhe e cada grande mancada, relevamos tudo, na verdade: o chamado amor incondicional, ou seja, que não impõe condições para nascer e, o que é mais importante, para continuar. Mas e quando, em meio a toda essa seqüencia de fatos relevados, revela-se um insuportavelmente imperdoável? E quando sua bondosa alma cristã descobre que não há mais nada de cristão nela e que perdoar nem sempre é possível, nem sempre é um gesto louvável? E quando descobre-se que não adianta de nada ter a bondade de perdoar se não vai ser possivel esquecer? A memória é uma coisa engraçada, quanto mais tentamos esquecer aquilo que nos machuca, mais o ferimento queima, se agrava e nos tortura. Até que eu possa passar pela máquina de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, o que me resta é cantar essa canção a cada vez que me lembro de você, que eu tanto amo, com quem eu tanto me importo mas que escorreu por entre meus dedos, tão rapidamente, e o que eu mais gostaria fosse que o ralo estivesse fechado, mas ele estava aberto.

"Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me
Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me"

::A pergunta que não quer calar::


Tudo o que é bom dura pouco?

::Sábias Palavras::


Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, II

::My headphones saved my life::


Enjoy - Björk

I wish: i want to stay here
I wish: this be enough
I wish: i only love you
I wish: simplicity

Look at the speed out there
It magnetizes me to it
and i have no fear
I'm only in to this to

Enjoy

I wish i'd only look
and didn't have to touch
I wish i'd only smell this
and didn't have to taste

How can i ignore?
this is sex whitout touching
I'm going to explore
I'm only into this to

Enjoy


Stars - Au Revoir Simone

And since we met
I simply cannot forget
You are on my mind
Yes, since the day we met
I think I haven't slept
More than an hour at a time

You make me wanna measure stars
In the backyard
With a calculator and a ruler, baby
I found a letter that describes
How the moonlight will lead me
To a distant place that you will be

I don't know how
But there's a power
For now it conveys a subtle mystery
And from my house
As I look out
The stars align

The open sky
Is mine tonight
It gives a sign
Of what I'll find

domingo, setembro 16, 2007

::My headphones saved my life::


I miss you - Björk

I miss you
but I haven't met you yet
so special
but it hasn't happened yet
you are gorgeous
but I haven't met you yet
I remember
but it hasn't happened yet

and if you believe in dreams
or what is more important
that a dream can come true
I will meet you

I was peaking
but it hasn't happened yet
I haven't been given
my best souvenir
I miss you
but I haven't met you yet
I know your habits
but wouldn't recognize you yet

I'm so impatient
I can't stand the wait
when will I get my cuddle?
who are you?

I know by now that you'll arrive
by the time I stop waiting



::Primeira opção::


Há alguns meses, nesse mesmo blog,escrevi um texto sobre obsessão depois de ter visto o filme Notas sobre um escândalo, uma frase que me marcou muito no filme, e que eu a reproduzi foi:
"Você não é tocada há tanto tempo que o toque acidental de um motorista do ônibus mexe com as suas mais profundas entranhas" Judi Dench como Barbara em Notas sobre um escândalo
Depois de muito tempo consegui ler o livro que deu origem ao filme, Anotações sobre um escândalo de Zoë Heller e estou fascinada pela personagem Barbara, ela é muito mais cativante no livro, embora Judi Dench encarne com perfeição a idéia que se faz dela ao percebemos, ao mesmo tempo, sua crueldade, seu humor super refinado e sua solidão. A frase do filme está assim escrita:
"Elas [as pessoas que não sabem o que é estar sozinha] não sabem o que é ser tão cronicamente intocada que o roçar acidental da mão de um motorista de ônibus em seu ombro manda um solavanco de desejo diretamente para a sua virilha." (ed.Record, 2006, pág.243)
Devo dizer que reconheci um pouco de mim em Sheba também, mas muito mais em Barbara, o que ela tem de certo "puritanismo" eu não compartilho e aí entra Sheba, uma mulher de 40 que se enamora de um garoto de 15, quer coisa menos puritana? Mas Barbara é uma pessoa muito mais, talvez, reflexiva, enquanto Sheba é mais esnobe e expansiva.
Mais do que a obsessão, o que me marcou no livro foi a solidão e as maneira de lidar com ela, até que ponto é condenável? Em que ponto deixa-se de ser crítica e passa-se a ser cruel e até mesmo despeitada? Que tipo de sofrimento justifica certos pensamentos cruéis? E, ainda, será que nós mesmos não temos muitos dos pensamentos cruéis de Barbara mas os negamos até para nós mesmos?
A solidão é inerente ao homem, na realidade, e na mais pura verdade, somos sempre sozinhos, temos nosso próprio mundo incomunicável e impenetrável. Porém, em nosso relacionamento com o outro, podemos ser tão importantes para alguém e esse alguém ser também para nós que passamos a dividir um terceiro mundo com esse alguém, criamos um mundo no qual só os dois têm acesso e assim podemos tentar comunicar uma parte do que somos para outro ser. Não me refiro, exclusivamente, ao amor romântico, acho que falo muito mais de amizade mesmo, e a questão que se dá no livro e pela qual muitas vezes passamos, é ser a primeira opção de alguém, isso talvez seja o que nos faz sentirmo-nos especiais, de alguma forma. Quando pensamos em sair, ir ao cinema, tomar algo e queremos companhia, quando queremos conversar, transar, rolar na grama verde ao sol, quem é nossa primeira opção? Quem é a sua? Será você a primeira opção de alguém? Serei eu a de alguém? Barbara não era a primeira de ninguém e ninguém queria ser a sua, há anos, e isso deve machucar no fundo da alma, pode gerar toda uma vulnerabilidade e sensibilidade ao extremo, uma volatilidade que, se tocada, se esfacela...
Outra teoria muito interessante do livro é a da "tirania do humilde" (p.185), a passividade agressiva e perigosa daqueles que se deixam dominar numa relação, que a torna desigual, enquanto um grita, se descabela, fala, gesticula, teoriza, o outro assiste a tudo calado e concorda com um aceno de cabeça, tudo vai parecendo muito bem quando na verdade milhares de discordâncias vão se formando com o tempo e enfim explodem dando fim a tudo.Triste.

::Divagações no escuro::


Como fazer um filme ideológico

Ingredientes:
1. Um povo, uma nação, um grupo, um modo de vida a ser elogiado e elevado.
2. Um povo, uma nação, um grupo, um modo de vida a ser vilipendiado.
3. Os bonzinhos devem ser passíveis de afeição do público.
4. Ridicularize os inimigos.
5. Salve os bonzinhos.
6. Acabe com os inimigos.
7. Coloque umas músicas de fundo que induzam claramente às suas intenções.
Preparo:
1. A história
O 11 de setembro de 2001, o caso do avião que caiu na Pensylvania.
2. O desenvolvimento
Coloque os "árabes" como "non-english-speakers", bárbaros, que só sabem gritar, fazem o estilo Rambo de ser, meio loucos que viram os olhos enquanto os americanos são postos como muito civilizados, não-caricaturáveis, sensíveis, corajosos, enfim, vítimas.
3. Resultado
Um filme muito bom, bem feito, bem filmado, inovador nas técnicas, envolvente, cativante, triste e muitissimo elogiado: Vôo United 93.

sexta-feira, setembro 07, 2007

::A mulher que não tinha cheiro::


- Bom, melhor não ter cheiro do que ter cheiro ruim.
Eleonora já havia passado da puberdade, há alguns anos, aliás, mas nada mudara na sua condição inodora; não que isso a incomodasse.
- Não, de forma alguma.
Ela pode acordar, fazer ginástica, ir para o trabalho, tomar uma com os amigos e voltar para casa sem se preocupar com desodorante; ela é naturalmente desodorizada.Às vezes fica dois ou três dias, nas férias - é claro - sem tomar banho, de pijama, e nem ela nem suas roupas a entregam pelo crime que ela supostamente cometeu.
Mas que fique bem claro que Eleonora é sim uma pessoa asseada. Seus cabelos brilham, longos, pesados e com um balanço todo seu; sua pele é macia e branca como se nunca tivesse visto sol, chega a ser aveludada, e não só a pele de seu rosto, mas de todo seu corpo; a evolução foi generosa com Eleonora e ela quase não tem pêlos e onde a natureza clama por eles, são muito macios, embora de um castanho duro.
As feições de Eleonora são delicadas, nariz fino, boca pequena, olhos profundos e bochechas rosadas, ao vê- la andar pode-se sentir o coração bater mais rápido, tamanha emoção que sua figura causa, imagina-se que ao se aproximar ela tenha aroma de folhas verdes úmidas, mas o que se sente é, no máximo, um perfume francês de bom gosto. Ela dá duas borrifadas antes de sair de casa, depois do banho, para perfumar seu ser.
- Bom, antes isso do que mau cheiro - essa é a teoria de Eleonora.


::My headphone saved my life::


P.D.A. (WE JUST DON'T CARE), de JOHN LEGEND

Let's go to the Pad
I wanna kiss u underneath the stars
Maybe we go to far
We just don't care

U know I love u when u loving me
Sometimes it's better when it's publicly
I'm not ashamed I, don't care who sees
Just hanging & kissing our love extra basically

We run devour up on the fire escape
I like to setup an alarm today
The love emergency don't make me wait
Just follow I'll lead u
I urgently need you

Let's go to the Pad
I wanna kiss u underneath the stars
Maybe we go to far
We just don't care
Lets make love, let's go somewhere they may discover us
We just don't care

I see u closing down the restaurant
Let's sneak and do it when your boss is gone
Everybody's leaving will have some fun
Or maybe it's wrong but u turn me on
Ooh, will take a visit to your Mama's house
Creep to the bedroom while your Mama's is out
Maybe she will hear it when we scream and shout
And we will keep it rocking until she comes knocking

Let's go to the Pad
I wanna kiss u underneath the stars
Maybe we go to far
We just don't care
Let's make love, let's go somewhere where they may discover us.
Let's get lost and lost
We just don't care

If we keep up on this fooling around
Will be the talk of the town
Let's trun around they will arrive anytime
Let's open up the blinds

Ooh I don't care about the priority
Let's break the rules and ignore society
Maybe the neighbor wants to spy too
So long if they watch what we do

ONE NIGHT, de THE CORRS

Long day and I'm ready,
I'm waiting for your call,
Cos I've made up my mind.
My heart aches with a hunger,
And a want that you were mine,
No, I can not deny.
So for one night,
Is it alright,
That I give you....

My Heart, My Love, My Heart,
Just for one night.
My Body, My Soul,
Just for one night.
My Love, My Love,
For one night.
One Night

When morning awakes me,
Well I know I'll be alone,
So dont you worry about me.
I'm not empty on my own,
For inside, I'm alive,
That for one night,
It was so right,
That I gave you....

My Heart, My Love, My Heart
Just for one night
My Body, My Soul
Just for one night
My Love, I Loved
For one night
One Night

For one night
It was so right
That I gave you

My Heart, My Love, My Heart
Just for one night
My Body, My Soul
Just for one night
My Love, I Loved
For one night


::Divagações no Escuro::


Filhos do Paraíso e as modas do cinema

Lembro-me de conhecer a história de "um filme iraniano sobre duas criancinhas que dividem o mesmo sapatinho", mais ou menos desde 2002 e, finalmente, tive a oportunidade de assistir a ele.
Não me interessava muito por cinema na época do boom do cinema iraniano no circuito alternativo de São Paulo e Rio, só peguei a moda dos filmes argentinos e a dos coreanos e chineses exóticos, dizem agora que está vindo a moda dos romenos, os festivais confirmam. Ainda não vi A Leste de Bucareste. Enfim, o ponto é: não vi muitos filmes iranianos, o único que guardo na memória, marcante, é Gosto de Cereja do Kiarostami.
Filhos do Paraíso é sim um melodrama, é filme para chorar, para enternecer. Mas não é vazio. Podia ser um filme brasileiro, ambientado no sertão do nordeste, o pai vai jardinar, sei lá, em Recife, mas o fato é que é no Irã. As escolas são divididas para meninos e meninas, as garotas escondem seus rostos sob véus e usam sapatos desconfortáveis para fazer educação física, elas não trabalham fora de casa, aliás, já é demais irem à escola. Elas não rezam com os homens nas mesquitas e não tomam aquele chá com açúcar, talvez não tenham competições de corridas nem ganhem canetas. Triste.
Depois de muita calmaria, sujeira, esgoto, é desconcertante ver viadutos, prédios, avenidas, casas gigantescas, sofremos da mesma surpresa que o menino, que vive com os pais e a irmã num cômodo só, mas será que algum dia a irmã verá aquilo tudo? Será que é melhor viver numa condição sem saber de condições melhores?
Sede, desespero, angústia, tristeza, o filme consegue passar esses sentimentos não só pelo conteúdo como também pela forma, talvez resida seu triunfo e não se torne apenas um filme meloso e triste.

quinta-feira, agosto 30, 2007

:: Contorções e convulsões (ou Ensaio não acadêmico para você gostar de mim)::


Você sabe que eu gosto de você, não sabe? Eu sei que você sabe porque você me tortura, não é? É sim, você é uma espécie de sádico que gosta de me ver com os olhos esbugalhados a cada coisa que você fala e, eu sei que, se algum dia eu deixar que descubra que esse texto é sobre você, as coisas vão piorar.
Eu sequer consigo olhar nos seus olhos e você percebe isso, eu sei que percebe, você não é bobo. Eu queria poder olhar seus olhos e descobrir que você também olha os meus e assim, bem devagar, ver nosso reflexo em nossos olhos se aproximarem, sentir meu coração bater cada vez mais forte e enfim beijar sua boca.
Por isso não olho em seus olhos, não quero mais uma frustração.
É, eu sei que você tem namorada, você já me disse isso, várias vezes, e eu sei que você a ama, mas eu sou muito egoísta para não ficar pensando que eu podia ser muito melhor para você. Ossos do ofício de ciumenta invejosa.
Será que você faz de propósito? Esforço-me para descobrir se é proposital o jeito que você me trata e que fala comigo, parece estar me seduzindo para depois dizer NÃO. Você já explicou que não é isso, que é coisa da minha cabeça, mas não posso evitar me sentir especial pelo menos observando como você lida com os demais.
Eu sei, eu sei, somos amigos e você gosta da nossa amizade, eu também gosto mas isso não me impede de fantasiar além, porque acredito que não mudaria em nada nossa amizade, só me faria mais feliz e satisfeita.
Você é complexo e gosto disso em você, o problema é o quanto gosto, não só admiro como gostaria de dividir mais nossas semelhanças e discutir mais as diferenças. Queria, por isso mesmo, sentir pelo menos uma vez o peso do seu corpo, é...talvez mais de uma vez, mas enfim, não posso ser muito exigente.
Ah sim, sou muito exigente, acabo de me lembrar. Sou tão exigente que penso em você como possível satisfazedor de muitas das minhas exigências e, assim, quem sabe, eu poderia me tornar uma pessoa menos sem graça.
É, eu sei que não é! E depois sou eu que sou exigente.
Ah, mas querer não é poder, água mole em pedra dura por mais que bata não fura, e quem solta o pum não fica com a mão amarela, tudo mentiras que contam nessa nossa vidinha. Inclusive é mentira que os homens não se importariam de serem objetos, você se importa.
Comigo você faz piadas, é engraçado, discutimos filosofia, literatura, falamos de cinema e existencialismo, pragmatismo, estruturalismo, machismo, maoismo. Na verdade eu não sou boneco Playmobil porra nenhuma, talvez eu tenha cérebro demais para você e nossas conversas sejam interessantes demais para você me levar para a cama, talvez eu seja inteligente demais para ser uma amiga a menos de um palmo de distância, na verdade, é, talvez seja isso: eu sou além das expectativas de uma mulher que você deseja, passei do ponto além do qual o desejo se torna inviável. Ah, sim, eu sou muito legal e nossos papos são ótimos, mas sem papo cabeça no café da manhã, por favor!

::My headphones saved my life::


Leoni - Só Pro Meu Prazer

Não fala nada, deixa tudo assim por mim
Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real nas minhas mentiras,
E assim não faz mal
e assim não, me faz mal não

Noite e dia se completam, nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu
quiser
Eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor
Eu te recriei
só pro meu prazer, só pro meu prazer

Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso
Também se não for, não faz mal
Não me faz mal, não

Só pro meu prazer
Eu quero você como eu quero
só pro meu prazer
Eu quero você como eu quero

::Sábias Palavras::

Orlando Pedroso - http://www.fotolog.com/orlandopedroso/

terça-feira, agosto 21, 2007

::Vício novo::







The Bubble e a representação de relacionamentos homossexuais no cinema


"Eu me recuso a aceitar que um indivíduo possa ser identificado com e através de sua sexualidade." Michel Foucault

Considerar uma relação homossexual (pois já me convenci de que as relações é que são homos ou heteros e não as pessoas nelas envolvidas) diferente de uma heterossexual pode ser uma interpretação do espectador ou a premissa da qual partem muitos realizadores de filmes ao escolherem retratar uma relação amorosa. De qualquer forma, para mim, é um erro comum e por isso alguns filmes me parecem abomináveis.
Existem os clichês dos filmes de relacionamentos gays e muitos deles se encontram no começo da relação, o que há é a não escapatória, o relacionamento se dá pois não há o que se possa fazer, e aqui entram os dois caubóis de Brokeback Mountain. Tive a impressão de que eles transaram simplesmente porque estavam lá, no "middle of nowhere" de uma propaganda da Marlboro, há meses sem sexo, "à perigo" como se diz por aqui, e é capaz que transassem até com um cavalo, o filme foi mal sucedido em tentar me convencer de que aquilo era amor, de que aquele filme era diferente, de que aquilo, enfim, não passava de uma farsa hollywoodiana, até a voz deles era farsesca.
O outro clichê do começo do relacionamento é tecer um dos personagens como o mais 'propenso' e mais interessado e que vai 'corromper' o outro, mais tolinho, um exemplo é Meu amor de Verão. A menina rica é culta e engenhosa, lê Nietzsche e ouve Edith Piaf, a menina pobre tem problemas com o irmão que a acha 'vagabunda' e não é lá muito instruída, é ela, é claro, que vai se ludibriar pela menina rica, o amor de admiração, o amor pelo que se gostaria de ser, até descobrirmos que as duas não são lá muito confiáveis, são mentirosas e de imaginação um pouco fértil demais, como se o relacionamento tivesse se tornado possível por seus distúrbios comportamentais.
Poderia passar páginas e mais páginas falando de filmes que deturpam totalmente a idéia de relacionamentos gays, mas esse post é dedicado a um filme que vai além dos clichês e emociona, por isso gostaria de citar outros como ele.
O recente C.R.A.Z.Y. trata da descoberta do mundo por um adolescente que não se contenta com a idéia socialmente difundida de que homens devem se relacionar com mulheres e vice-versa e apenas, ele quer mais e isso o confunde, como ir além daquilo que a sociedade nos impõe? Como lidar com o fato de quando criança ter preferido brincar de bonecas, sendo menino, à jogar bola? Como aceitar o fato de ter gostado mais de sexo com um homem, sendo também um homem, do que com uma mulher? Mais do que trabalhar em cima de um relacionamento C.R.A.Z.Y. é sobre um conflito pessoal, uma fase de aceitação do que se é a despeito do que os demais são.
Imagine você e eu é um filminho mamão-com-açúcar, melado, comédia romântica de Sessão da tarde e por isso me pareceu genial. Usar uma fórmula já bem difundida, bem absorvida e bem comum, digamos, como é a comédia romântica 'típica', para falar de um amor entre duas mulheres acaba se tornando uma inovação. Sempre senti falta disso, de um filme que falasse de amor entre mulheres ou entre homens como se fala de amor entre um homem e uma mulher, porque de fato não há diferença entre eles, mas parece que ninguém nunca tinha feito isso, eu pelo menos nunca tinha visto, por isso o filme é bem-vindo.
Antes dele o que mais se aproximara do 'não-exagero' fora Assunto de Meninas, tradução de Lost and Delirious, através do qual vemos o sofrimento de quem ama aquele que não aceita seu amor. Paulie e Tori namoram, estamos convencidos que o amor é mútuo e verdadeiro entre elas, até que Tori resolve largar Paulie por um cara e continuamos convencidos de que ela fez isso puramente por uma imposição social, seguimos então, de perto, a dor de Paulie em toda sua sensibilidade, até explodir, não no final, mas na cena da valsa, com "River Waltz" do Cowboy Junkies ao fundo.
E falando de música é que chego ao mote do texto: The Bubble, o novo filme de Eytan Fox. Para quem viu Delicada Relação outra tradução infeliz das que abundam nos cinemas daqui, a mudança é drástica, não só do conteúdo mas mais da forma, agora o diretor se mostra mais maduro e mais corajoso, se é que é possível ser mais corajoso do que já tinha sido, considerando seu país e seu tema, foi possível sim. O que vemos agora é uma mistura de influências musicais e cinematográficas, do mais 'indie' ao mais pop, desde 'Israel Idol' (o American Idol de lá) até Jules e Jim passando por Britney Spears, Bent (a peça de teatro) e Bebel Gilberto, sem esquecer da semelhança entre a loja de discos de lá e a de Alta Fidelidade. Misture a isso um israelense judeu recém-saído do serviço militar se apaixonando por um palestino muçulmano, ataques terroristas, tiros, bombas, canções de amor, fortes amizades, raves pela paz e mesmo assim você precisa ir ao cinema para ter uma idéia do resultado. Numa sessão do filme seguida de conversa com o diretor e com o ator principal tudo o que eu queria dizer era "Parabéns caras!" e ficar lá, em estado de graça, ouvindo o que eles tinham para falar, acho que as congratulações foram entendidas pelos dois após alguns minutos de aplausos e pelas lágrimas presentes nos olhos de todos, jovens, idosos, judeus, ateus, israelenses, brasileiros.
Eu sou totalmente fascinada por filmes sobre o 'conflito-eterno' entre Israel e Palestina, lembro-me de que era o meu assunto favorito nas aulas de geografia, eu sabia as datas e os porquês de cada conflito, de cada tomada de território, de cada invasão, se bem que não haja mesmo verdadeiros 'porquês'. Para alguém que vive em São Paulo, onde todos parecem conviver tão bem, uma cidade na qual podemos almoçar sushis e jantar macarronadas, na qual a miscigenação corre na veia de quase todos, aliás, vi um documentário chamado Cosmópolis, muito bom sobre a cidade e essas questões, ver aquela guerra sem fim é um desafio à compreensão, é um exercício constante de projeção e por isso me interessa tanto. A idéia de vingança corre solta no ar da região e vemos isso em muitos filmes sobre a questão, assim que há um atentado em Israel há uma represália na Palestina e vice-versa, e de represália em represália eles andam em círculos há anos, isso fica bem claro em The Bubble, apesar de ser uma parcela pequena dentro do filme.
O que distancia tanto o filme de Eytan Fox dos demais filmes sobre o Oriente Médio é que ele não é sobre isso e sim sobre a juventude, sobre seus anseios, amores e problemas existenciais, apesar do contexto peculiar, podemos nos reconhecer nos personagens, dialogar com eles, ter a sensação de que conhecemos pessoas novas ao final. O filme é sobre o amor, a amizade, os gostos pessoais, o distanciamento e o engajamento político, e é também, sim, sim, sobre o conflito Israel-Palestina.


::Divagações no Escuro::

A decepção com Little Children

A sutileza é uma das primeiras virtudes que um filme deve ter se não quiser tratar seu interlocutor como um idiota, por isso nos sentimos mais confortáveis ao ver Réquiem para um sonho do que Diário de um adolescente, por exemplo, deixando de lado, é claro, a criatividade de cada um. Se o filme tem uma tese a ser provada esta não precisa ser argumentada à exaustão para ser compreendida, se você tem em suas mãos um instrumento como o cinema, com suas possibilidades audiovisuais, no qual você pode trabalhar seus argumentos através de palavras e imagens, por que tratar tais possibilidades como se fossem deficitárias em si quando o que falta é criatividade a você? Essa é a pergunta que nos fazemos muitas vezes ao ver um filme.
Pecados Íntimos, tradução infeliz de Little Children, carrega a tese de que os adultos é que são, na verdade, infantis. Certo. Boa tese. A ver como se desenvolve. O filme faz uso de meios extremamente 'didáticos' para provar sua tese, tão didático que o filme mesmo se torna infantil e parece tratar-nos como crianças. Bom, se a tese é 'todos os adultos são infantis', então ela se comprovou já que os realizadores se mostraram infantis e endereçaram o filme a pessoas, no caso, adultos, também infantis. Aplausos então.
Posso estar enganada, mas vindo de onde veio acho que a intenção do filme não era bem essa, pelo menos não foi muito convincente e é por isso que ele decepciona, é fraco e superficial. É um ultraje ligar a infantilidade de personagens com o fato de não trabalharem fora, ligar seus fetiches pessoais a perversões, mais uma vez Hollywood tenta fazer um filme diferente e esbarra no velho american way of life e no puritanismo, acompanhado, é claro, de um certo determinismo social.

Um filme, uma frase

Ascensor para Cadafalso - É, eu gosto mesmo de filme francês e em preto e branco.
Nas profundezas do mar sem fim - Por favor, acabe logo, me livre desse sofrimento.
Cine-olho - A vida como ela era... na Rússia... na década de 20.
Dália Negra - Cada filme que passa eu gosto mais desse Brian de Palma.
Os Conquistadores - Lang no Far Oeste.
Ensina-me a viver* - Ensine-me a viver!
O Segredo da porta fechada - Num suspense de Lang eu fico com medo.
O samurai do entardecer - Delicadeza, sutileza, beleza, arigatô.
Filhos do Paraíso* - Que paraíso?
Pequena Miss Sunshine* - De perto ninguém é normal.
Lucia e o Sexo* - Não sei se quero mais Lucia ou mais sexo.
Deu a louca na Chapeuzinho - Poderia ser pior?
Amar e Dançar* - O clichê do filme de dança elevado a um novo patamar.
Procura-se Amy* - Tudo sobre minha vida.
Estamira* - Como o trocadilho, ao contrário, permitiu que as pessoas rissem nesse filme?
The Wind - E o vento levou a virgindade...
Bonecas Russas - Louco, tresloucado, amalucado, divertido e bem-feito.
Em Busca do Ouro - Um clássico é um clássico.
Waking Life* - Até agora a luz não acendeu.
Jornada da Alma - Os psicanalistas também amam.

*talvez recebam mais do que uma frase.

::A pergunta que não quer calar::

Por que eu demoro tanto para escrever?