quinta-feira, abril 26, 2007

::A difícil arte de estar só::

Talvez o mais difícil quando se termina um relacionamento de longa data não seja parar aquele filminho que passa na mente, play e rewinde, infinitamente, também talvez não seja contornar as lágrimas e ver em frente, talvez, o mais difícil seja voltar a ficar só.

Somos todos sós. Mas num relacionamento, por muitos pequenos instantes, sentimos que somos compreendidos e que fazemos parte de algo comum a duas pessoas. Temos, realmente, alguém que se importa e pensa em nós a cada 2 ou 3 minutos. Num relacionamento você tem a certeza de que pode contar com alguém e parece que alguém entende sua angústia, seu vazio e suas alegrias, pelo menos é o que parece.

É difícil acordar e se acostumar a não perguntar: "dormiu bem?", "que horas você acordou?".

Estar só não obriga satisfações mas às vezes é bom saber que alguém se importa, é bom ser mimado, bajulado.

Sempre preferi a solidão à multidão, porém, depois de muito tempo, me vejo tendo apenas a mim para dividir as coisas.

Preciso voltar a me conhecer, já tinha me esquecido de como eu era, sozinha no quarto, sem telefone na orelha, sem e-mails na caixa todos os dias, sem mensagens no celular, sem mãos para pegar ao atravessar a rua.

"Eu sou um outro".

"O inferno são os outros".

Prazer, esta sou eu!


::Divagações no escuro::

Shoah
Grande oportunidade, talvez única: ver Shoah na Cinemateca. O documentário de 9 horas foi dividido em 2 dias, sábado e domingo, exibição em DVD com legendas em inglês.
Apesar de um acontecimento raro, poucos foram ver, poucos mesmo, cerca de 10 pessoas, no sábado, no domingo eu compareci.
A idéia do filme, o "conceito" é interessante e intrigante: num momento da década de 80 em que os chamados "revisionistas" lançavam teorias de que o Holocausto nazista não foi mais do que uma invenção dos judeus visando compadecimento mundial, Claude Lanzmann resolveu fazer um filme diferente sobre o acontecido da II Guerra. Esqueça "O Pianista", "A lista de Shindler" e todos os outros, Lanzmann parte do princípio de que aquele horror todo não é reconstituível, nem os lugares, nem as pessoas e nem acontecimentos são passíveis de serem reconstruídos, no fundo, ninguém que não viveu aquilo pode entender o que realmente foi. Interessante como essa sempre foi minha opinião sobre qualquer momento histórico, mas enfim.
O filme então se faz de entrevistas com sobreviventes, judeus, alemães, poloneses e imagens dos locais como estão no momento em que foram filmados, no caso, 1985. O resultado é impressionante, muitos, afirmam que a emoção nos toma instantaneamente diante de uma imagem que nos choca e que a emoção nos vai tomando aos poucos através de um relato de tal imagem ou ação. Bom, todo filme, todo cinema é um relato, por mais realista que seja, você não está num deserto, numa tribo africana e nem em Aushwitz de verdade, assim, Shoah se constituiria então como um relato de um relato. A cena da sopa de O Pianista nos dá sensações, assim como a garotinha de vermelho de A Lista, só para falar dos mais recentes e famosos filmes sobre o tema, mas com certeza podemos citar mais de 50 filmes que tratam do assunto.
As falas, porém, dos sobreviventes no documentário, realmente nos atinge aos poucos, mas o fato é que depois de 2 horas aquilo já está surtindo um efeito catastrófico e ao cabo de 4 horas do primeiro dia eu já não podia mais com aquilo tudo. Fui para casa tentando decidir se voltaria no dia seguinte, passei a manhã toda do domingo pensando na mesma decisão e acabei decidindo ficar em casa, por fraqueza mesmo, eu confesso: não agüentaria.
A tese do filme está mais do que provada, não precisamos de um cenário que evoque os campos de concentração, de personagens construídas a partir de um real, o real, ali, diante das câmeras, mesmo que depois de 30,40 anos é o real e suas falas, mesmo que sejam apenas falas, que vêem perdendo sentido num mundo dominado pelas imagens, são mais significativas, suas descrições mexem com o que de mais humano existe em nós e a pergunta não se cala: como foi possível?
O diretor arranca confissões incríveis de oficiais alemães e vizinhos poloneses dos campos, coisas de se ficar boquiaberta, com duas ou três perguntas se faz todo um diagnóstico das relações entre aquelas pessoas naquela época determinada, e a pergunta continua sem se calar.
Não sejamos cegos o bastante para ignorar que não só judeus foram mortos nos campos, apesar de não haver muitos filmes, canções, museus para eles, ciganos, homossexuais e negros também morreram e não só os nazistas tiveram seus campos, os soviéticos, os chineses, aliás, vale a pena ver Balzac e a Costureirinha chinesa para entender outros caminhos do autoritarismo. Sim, muitos outros, de muitas classes sociais, religiões, orientações sexuais e ideológicas morreram, em muitos outros holocaustos. Mas a pergunta ainda assim não se calou.

Antes do Pôr-do-Sol
O que é um desconhecido se no fundo no fundo todos são desconhecidos? Nove anos atrás eles não se conheciam de tudo, em Antes do Amanhecer e se apaixonaram e viveram intensamente uma noite e falaram sem parar e quando pararam aproveitaram e se despediram e...
Nove anos mais tarde se reencontraram e saíram para tomar um café e passearam por Paris e tomaram um barco e não pararam de falar um segundo e ela se confessa fraca como todos nós e apaixonada e o filme vai acabando e ela canta uma canção de amor e ele vai perder o avião de volta para casa e ...


::My headphones saved my life::

The Corrs - Intimacy(trecho)

We come into this world alone
From the heart of darkness
The infinite unknown
We're only here a little while
And I feel safe and warm
When I see you smile

Damien Rice - Amie (trecho)
Something unusual, something strange
Comes from nothing at all
But I'm not a miracle
And you're not a saint
Just another soldier
On the road to nowhere


::Sábias Palavras::

"Talvez amanhã a novela acabe mais cedo, talvez amanhã você não goste do que vê no espelho e queira mudar a cabeça sem mexer no cabelo" (Jack - http://trixa.com.br/cmto/?p=97)

sexta-feira, abril 20, 2007

::My headphones saved my life::


She Bop - Cyndi Lauper

We-hell-i see them every night in tight blue jeans
In the pages of a blue boy magazine
Hey Ive been thinking of a new sensation
Im picking up
good vibration
Oop--she bop
Do I wanna go out with a lions roar
Huh, yea, I wanna go south n get me some more
Hey, they say that a stitch in time saves nine
They say I better stop--or Ill go blind
Oop--she bop--she bop
She bop--he bop--a--we bop
I bop--you bop--a--they bop
Be bop--be bop--a--lu--she bop,I hope he will understandS

Hey, hey--they say I better get a chaperone
Because I cant stop messin with the danger zone
No, I wont worry, and I wont fret--Aint no law against it yet
--Oop--she bop--she bop--She bop--he bop--we bop...


::Pintar ou fazer amor e A Casa dos Budas Ditosos ou uma educação sentimental para a moral::


Apesar do carnaval, das praias e do calor que, aparentemente, promovem a nudez propagandeada por nós mesmos sabre o Brasil, o brasileiro é um reprimido, na melhor das hipóteses, um hipócrita.
Os americanos são puritanos mas, okay, muitos deles são realmente puritanos. O brasileiro é reprimido por uma moral tradicionalmente católica e agora piorada. Países como Itália, Espanha e Portugal, dos quais somos depositários, muitas vezes discutem em seus filmes e livros as conseqüências dessa tão enraizada cultura do pecado pregada pela Igreja e presente até mesmo nas famílias de tradição não religiosa.
Mas será o brasileiro realmente reprimido ou meramente hipócrita? As piadas mais famosas no Brasil, depois das de português, são as de corno; ainda comete-se a animalidade (coitados dos animais) de matar por vingança ao adultério, mas muitos traem, traem loucamente. E aqui não critico ao adultério, nada contra, é tudo uma questão de assumir, que se traia, mas que se assuma. Aliás, devemos pensar uma relação entre as piadas de cornos serem sobre homens traídos e a violência ser contra a mulher.
A hipocrisia está nesse "não me toques", tudo um choque, um rubor coletivo, enquanto entre quatro paredes acontece de tudo. ASSUMAM. Gritemos alto todos nossos pecados e perversões e daqui algum tempo, depois de tanta gritaria, não serão mais chamados assim os nossos desejos.
A peça, baseada no livro de João Ubaldo Ribeiro, A Casa dos Budas Ditosos abriu minha mente para muitas coisas. Uma senhora sexagenária conta sua vida inteira pelo aspecto sexual e, a despeito dos mais conservadores, é invejável. Ao final da peça ela fala para que coloquemos as mãos nos "ógãos genitais" de nosso vizinho de poltrona, será que alguém fez isso? Se a peça não fosse tão cara eu assistiria de novo e no final faria o que ela sugere. Qual o real problema? Não vai arrancar pedaço.
O filme Pintar ou fazer amor, embora num registro totalmente distinto, também aborda a questão da liberdade sexual, é uma poesia em filme, uma ode extremamente sexy. Os diálogos, a trilha sonora, o cenário, tudo faz dar vontade de estar naquele filme e de se apaixonar loucamente.
Precisamos urgentemente colocar o sexo na boca do povo (com ou sem duplo sentido) não como uma coisa pervertida da qual se ri ou sobre a qual se fala baixo, devemos falar como falamos de política, culinária, com um pouco mais de entusiasmo, é claro.

::Sábias Palavras::

"A primeira lei que a natureza me impõe é gozar à custa seja de quem for."
"Um prazer nunca é um erro!"
"Tudo é ótimo quando em excesso."
Marquês de Sade

::Curtindo a vida adoidado::


Ultimamente tenho procurado ouvir muitas das bandas comentadas nos jornais e nessas você pode acabar descobrindo muito lixo mas também muitas pérolas, uma boa é a banda de garotas The Long Blondes com o álbum Someone to drive you home.
Uma exposição muito bacana em cartaz em Sampa é a do Museu do Salvador Allende no prédio da Fiesp, vale a pena a visita, gratuita, para ver de tudo um pouco.

domingo, abril 08, 2007


::A Morte::


A verdade verdadeira é que não temos a menor idéia do que acontece após a morte, só sabemos que vamos morrer, com toda certeza, isso dá medo, é aterrorizante mas, cedo ou tarde, temos que aprender a lidar com ela, a inevitável.
Sempre que penso sobre minha morte, confesso, faço o maior esforço para mudar de pensamento, canto uma música, vou fazer algo, tento dormir, qualquer coisa que me ajude a evitar tal reflexão.
Porém, sem querer, me deparei com a morte em diversos meios de expressão em dias seguidos. Estava lendo Um Sopro de vida, último livro da Clarice antes de morrer, ela ditou o livro a sua amiga Olga ao mesmo tempo que ditava A Hora da Estrela, ela sabia que ia morrer e isso fica claro no livro, é um adeus, uma reflexão e um processo de aceitação da própria morte, triste e feliz ao mesmo tempo, é uma angústia seguida de certa forma de alívio, é mesmo um suspiro.
Fui ver uma peça por indicação de um amigo, que eu indico a todos seres sensíveis do mundo, Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo, uma peça, basicamente e bem simplificadamente falando, sobre a morte, textos excelentes e interpretações de alma, gritos e sussurros que ferem, mexem lá dentro e reviram tudo, tudo à flor da pele e sem meias palavras, "entre morrer meu pai ou eu, morre meu pai que é mais velho", sobre homicídio, suicídio, todo tipo de morte, natural, por queda, arma de fogo, ataque do coração, velhice, de gente, de pássaro, de cachorro, gente rica, pobre, homem, mulher, afinal, todos morrem.
Dias mais tarde vi o mais recente filme de Woody Allen e, sobre o que era? Morte! Não digo agora que aceitei o fato de um dia ter de morrer, mas creio que de agora em diante pensarei, sem fugir, no assunto mais claramente e ainda acredito que sou muito nova para deixá-la me levar.
Quero ler Intermitências da Morte do Saramago agora.

::My headphones saved my life::


Play Dead - Björk

Darling stop confusing me
with your wishful thinking
hopeful enbraces
don't you understand?
I have to go through this
I belong to here where
no-one cares and no-one loves
no light no air to live in
a place called hate
the city of fear

I play dead
it stops the hurting
I play dead
and hurting stops

It's sometimes just like sleeping
curling up inside my private tortures
I nestle into pain
hug suffering
caress every ache

::Sábias Palavras::


"Será que, depois que a gente morre, de vez em quando acorda espantado?"
"A vida é muito rápida, quando se vê, se chegou ao fim. E ainda por cima somos obrigados a amar a Deus." Clarice Lispector, Um sopro de vida, págs. 145 e 131.


::Divagações no escuro::


Superdose de Woody Allen
Essa postagem era para ser toda sobre a morte mas não agüentei esperar para escrever sobre meu ídolo-mor e, talvez, faça mesmo sentido incluí-lo aqui. Explico: juntamente com Truffaut, Kieslowski e Almodóvar, Woody Allen é meu diretor favorito e, um dos dois que ainda vive. Acontece que ele é a pessoa que mais me faz rir nesse mundo e seria terrível, então, que simplesmente não houvesse mais novidades dele. Eu tenho que encarar o fato, contudo, de que ele está bem velhinho e que, um dia, premeditado em seu novo filme, ele partirá dessa para uma melhor (?).Mas...
Como esse dia ainda não chegou, comemoremos sua vida.
Tive uma superdose de Woody Allen nos últimos dias, assim como nas férias tive uma de Fellini. Digo superdose porque o viciado nunca admite ter tido uma overdose, e para mim certas coisas nunca são demais.
Resolvi alugar uns filmes antigos de Woody para me preparar para finalmente ver Scoop, mas devo dizer que só fico 100% satisfeita quando ele mesmo aparece nos filmes com suas neuroses e traumas. Então, para encurtar a história e simplesmente promover o cinema de que gosto, rapidinhas:
- O Dorminhoco(1973) - Como Woody está novo, com cabelos quase ruivos e muitas sardas. É o primeiro filme com Diane Keaton, sua musa que eu mais gosto. Muito engraçado, esqueça Star Wars, isso é que é filme de ficção-científica.
- Crimes e Pecados(1984) - Ou um ensaio para Match Point, sério mas ainda engraçado, com a presença carismática e divertida de Woody como um cinéfilo e diretor que não se deixa corromper pela indústria. Percebo que a figura de Woody Allen aproxima-se à de Didi do imaginário brasileiro, com relação às mulheres, um cara legal e bem mais velho que se apaixona por belas e jovens mulheres que quase nunca ficam com ele ao final.
- A Rosa Púrpura do Cairo(1985) - Para os viciados de plantão, um filme digno de corujão. Pura metalinguagem para assistir de boa aberta e sem piscar. Mia Farrow dá um show!
- Broadway Danny Rose(1989) - Cenas excepcionais, um dos mais engraçados que já vi, uma cena em especial devia marcar as cenas de comédia da história do cinema: a do galpão dos caminhões. Tão engraçada e diferente quanto Buster Keaton "dançando" no trem em A General. Queimem-me por isso os puritanos do cinema.
- Todos dizem Eu te amo(1996) - Um musical ou um anti-musical? Clássicos do jazz dançados e sapateados. A Julia Roberts tentou mas não conseguiu destruir esse filme.
- Scoop(2006) - Divertido, interessante e cheio de tiradas sensacionais. "Eu fui criado no judaísmo mas agora aderi ao narcisismo". Triste ao nos obrigar a ver a morte levando o simpático mágico. Referências ao seu filme anterior e brincadeiras com suas personagens femininas e seu sempre nova-yorkino-judeu-neurótico. Dessa vez ele não se envolve com uma jovem que tem idade para ser sua filha ou neta, ele assume isso e vira pai da heroína. Discuti muito com uma amiga também fã de Allen sobre a presença de Scarlett Johansson, ela odiou, e não gostou do filme no geral. Eu lembro apenas uma frase de um crítico da Folha, "antes um Woody Allen ruim na mão do que vários Norbits voando". Eu acredito também que a Scarlett Johansson vem estragando muitos filmes por aí com seu complexo de "ai como sou gostosa", mas acho que dessa vez deu certo, bem melhor do que a atriz de Will&Grace em Dirigindo no Escuro alguns anos atrás, o pior filme dele que já vi.
Qual a melhor trilha sonora com música clássica, Match Point, Scoop ou Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão, de 82?

O Cheiro do Ralo
"Esse cheiro ruim que você está sentindo é do ralo."
Outro dia comentávamos entre amigos: é incrível o certo sado-masoquismo que temos quando o assunto é cheiro ruim. Você sente um cheiro péssimo e fala:
-Alguém está sentindo esse cheiro?
E todos fazem força para sentir, enquanto todos não sentirem ninguém fica satisfeito, inclusive você, fora que todos tentam descrever o cheiro, parece lixo, diarréia, cocô de nenê e nojeiras afins, sem fim.
Se todos falaram do humor politicamente incorreto de Borat, eu defendo o humor de Cheiro do Ralo, realmente engraçado, divertido e inteligente, às vezes deve-se até pensar duas vezes antes de rir de certas tiradas do personagem Lourenço, mas o cinema vem a baixo e você quase se mija de rir, gargalhar mesmo.
O filme é machista? Creio que não. Pensando bem nem o personagem é machista, ele não faz da mulher um objeto e sim de uma parte do corpo dela um objeto, pode ser a bunda dela como podia ser a de um homem. O filme é devasso? Passa dos limites? Não podemos confundir os personagens e a história que o filme conta com o próprio filme em si, que não é preconceituoso, maluco, pecador nem nada disso, é inovador no humor e na estética do cinema brasileiro.
A cenografista do filme descreveu o ambiente criado como uma estética da merda, tons marrons e esverdeados pareciam emanar o cheiro fétido que vinha do ralo do banheirinho.
Certas coisas são proibidas de falar, temos, muitas vezes, que engolir o sapo, às vezes um elefante, e continuar como se nada tivesse acontecido mas e se não precisassemos calar? E se simplesmente saísse? Se não tivessemos nenhuma moral, nenhuma educação e costume a seguir? Nenhuma noção do que socialmente aceitável...Mandaríamos muita gente ir se f* e ir tomar no cu, sem acento, por favor.
Se as nossas relações com o outro já estão tão deterioradas não podemos nos abalar ou sentirmo-nos ofendidos por estar diante de um personagem que coisifica as pessoas,certo? Errado? Sei lá, esqueça isso por alguns minutos e have fun.
Fazer um filme tão bom com míseros R$300 mil é memorável, incrível e uma atitude louvável e que deve ser aplaudida de pé, se você conseguir levantar com a dor de barriga que dá depois de tanto rir.
Visite o site: www.ocheirodoralo.com.br

::Curtindo a vida adoidado::

Apesar de nunca pensar em fazer um filme a sério - eu gosto mesmo é de ver e falar de cinema, mas não de colocar a mão na massa - diferente de pensar em escrever um livro, ou plantar uma árvore, eu coleciono na memória lugares nos quais eu faria um filme, locações mesmo, lugares que me lembram de algum tempo distante no qual não vivi, que me dão uma nostalgia mágica, enchem meu ser de vida e de saudades. Quem quiser fazer uma visita a esses lugares, cito dois:
Doceria Pólen na região da Pompéia na R. Clélia, doces e ambiente maravilhosos.
Cinema Gemini, na Av.Paulista, funcionários simpáticos, freqüentadores educados e poltronas confortáveis num cinema que não se fazem mais iguais, apesar da tecnologia não ser "de ponta" a emoção é imbatível.

::A pergunta que não quer calar::

Qual a incrível coincidência que me permitiu ver o Selton Melo masturbar-se em duas cenas em dois filmes distintos em menos de um mês? (Ver Lavoura Arcaica e O Cheiro do Ralo.)

sábado, março 31, 2007

::Eu só quero que você saiba::

Você tem cabelos longos e eu gosto de você
Você os pintou, ficaram quase loiros e eu gosto de você
Você não usa o telefone e eu gosto de você
Você tem esse jeito de "I really don't care" e eu gosto de você
Você às vezes realmente parece não se importar e eu gosto de você
Você desaparece e eu gosto de você
Você aparece de vez em quando e eu gosto de você
Você me traz lembranças e eu gosto de você
Você me dá saudades e eu gosto de você
Você é séria e eu gosto de você
Você nunca fala dos detalhes de sua vida e eu gosto de você
Você é uma incógnita e eu gosto de você
Você é um mistério e eu gosto de você
Você é um segredo e eu gosto de você
Você é meu tema favorito e eu gosto de você
Você é o que não conheço e eu gosto de você


::My headphones saved my life*::

Too Drunk To Fuck - Dead Kennedys (trechos)

Went to a party
I danced all night
I drank 16 beers
And I started up a fight

But now I am jaded
You're out of luck
I'm rolling down the stairs
Too drunk to fuck

Too drunk to fuck
I'm too drunk, too drunk, too drunk
To fuck

I like your stories
I love your gun
Shooting out truck tires
Sounds like loads and loads of fun

But in my room
Wish you were dead
You ball like the baby
In Eraserhead

Too drunk, to fuck
It's all I need right now
Too drunk to fuck
I'm sick soft gooey and cold
Too drunk to fuck

I'm about to drop
My head's a mess
The only salvation is
I'll never see you again

You give me head
It makes it worse
Take out your fuckin' retainer
Put it in your purse

I'm too drunk to fuck
You're to drunk to fuck
Too drunk to fuck
It's all I need right now Oh baby
I'm melting like an ice cream bar
Oh baby

And now I got diarrhea
Too drunk to fuck
Yeah, Yeah
Oooohhh

* "My headphones, they saved my life" é uma frase da música Headphones da Björk


::Sábias Palavras::

"E quando você me dá sua mão fria, eu, a quente, sinto um arrepio na espinha e te mato, mato, mato até você ficar completamente morto e inaproveitável para qualquer outra mulher, eu de novo te mato, mato e mato. Eu não quero você para nada, "seu" mão fria. Vou por aí procurar mão quente, e mando você para a puta que te pariu meu grande amor, há um hiato entre nós dois - por isso é que tenho em mente para preencher esse hiato e tenho um amante para favorecer você e te salvar do vazio e oco hiato sem fundo que é o vácuo."
Clarice Lispector, Um sopro de vida (Pulsações), pág.78


::Divagações no escuro::



Maria Antonieta

This is why events unnerve me,
They find it all, a different story,
Notice whom for wheels are turning,
Turn again and turn towards this time,
All she asks the strength to hold me,
Then again the same old story,
World will travel, oh so quickly,
Travel first and lean towards this time.
New Order - Ceremony

Ministério da Saúde Cinéfila adverte:
Não assista ao filme se for diabético ou estiver de regime.

Filme doce, literalmente falando, é quase possível sentir o gosto de morango na boca, gelatinas, docinhos rosas.
Kirsten Dunst mostra mais uma vez, depois de Tudo acontece em Elizabethtown e, o também de Sofia Coppola, Virgens Suicidas, que é uma ótima atriz embora quase nunca seja reconhecida, a despeito de suas companheiras de geração Reese Whiterspoon, Scarlett Johansson e outras de nomes difíceis de escrever.
Simpatizei com sua Maria Antonieta, tive pena de ser decaptada, por um momento quis eu ser da Corte de Versailles e aproveitar daquelas festas, comidas, jogos, roupas e sapatos mas a única coisa do filme que está ao meu alcance é o All Star azul.
A música é inebriante, combina totalmente, é perfeita, até parece que eles realmente ouviam New order na Corte, acho que eles gostariam, dançariam à beça. Agora percebo que os anos 80 combinam com a Versailles que Sofia idealizou, será que era assim? Tão rosa? Tão apetitosa?
Sofia mostra de novo como é difícil ser diferente num meio de iguais, o que os críticos vêm chamando de "sensação de não pertencimento", presente nos seus outros dois incríveis filmes. A cena final de Virgens Suicidas, a da festa, caberia como plano final tanto de Maria Antonieta quanto de Lost in translation (porque eu me recuso a usar o nome que deram a ele em português), o sufocamento num meio tóxico, o choro descontrolado numa sala de Versailles, o silêncio sentado na cama num hotel em Tóquio. Não importa se somos jovens, velhos, nobres, famosos, se estamos no Japão, nos EUA, na França pré-revolucionária: cabeças rolam. Just like honey.

O Jogador

Adoro filmes que falam de filmes e esse é especial, é engraçado, tem suspense, tem drama, é surpreendente. Um filme dentro de um filme. É um Os Sonhadores de terno e gravata.
Imagine você dentro de uma grande produtora de filmes de Hollywood, seu emprego? Nossa, chatíssimo, ter de ler e aprovar, ou não, roteiros a serem filmados por tal produtora. Creio que eu levaria tudo à falência, só aprovaria os roteiros que me agradassem, não sei ser profissional quando se trata de bom gosto no cinema, não sei escolher aquilo que vende. Mas quem sabe, sabe, sabem até as histórias que vendem, o que elas devem ter e conseguem descobrir até como um argumento se desenrola, ou seja, são os conhecedores do clichê do cinema comercial de Hollywood.
Você então recusa um roteiro e o autor fica muito, muito bravo. Aí começa o suspense do filme. Original, simples e se desenrola quase que naturalmente, regado a muitas bebidas caras e festas com famosos.

::Curtindo a vida adoidado::
Amanhá é o último dia para ver no CCBB de Sampa a exposição do Anish Kapoor, talvez a instalação Ascencion seja doada à cidade, mas estavam esperando uma resposta da Prefeitura, agora, a gente nunKassab.
Mesmo depois de amanhã, continuará uma instalação que vale à pena no local, no subsolo do CCBB, Sob Neblina (em segredo) de Marilá Dardot, uma expedição, ao contrário, pela alegoria da caverna de Platão.

::As perguntas que não querem calar::
O que o Bill Murray tem em Flores Partidas de tão irresistível? E será Don a mesma pessoa que seu personagem em Lost in Translation? A mesma expressão perdida.

sexta-feira, março 23, 2007

::My headphones saved my life::

Trouble Sleeping - Corinne Bailey Rae

Could it be that I'm suffering
Because I'll never give in?
Won't say that I'm falling in love
Tell me I don't seem myself
Couldn't I blame something else?

Just don't say I'm falling in love
'cause I've been there before and it's not enough
So nobody say it

Don't even say it
I ve got my eyes shut
Won't look, oh
No, I'm not in love

::Paradoxo sobre a blogueira::


Cá estou eu, mais uma vez, com um blog novo. Minha primeira tentativa começou em 10 de junho de 2003 mas só foi até 11 de março de 2005, mantive depois um blog de textos sobre relacionamentos que durou míseros 9 meses e um número pouco maior de posts, dividi um blog e atualmente divido outro. Mas o grande paradoxo é minha novíssima tentativa diante do texto que encerra meu primeiro blog, há 2 anos atrás, a seguir:
::That's all Folks::
Já decidi isso mais de uma vez, já desisti de desistir muitas outras, hoje mesmo hesitei. A resposta às minhas dúvidas e hesitações é: EXISTE VIDA LÁ FORA. Como em Arquivo X: THE TRUTH IS OUT THERE.
Sim caros e poucos amigos leitores, estou jogando a toalha, pendurando a chuteira, como quiserem.
Fato: esse é o último post. Encontro-me feliz, um grande passo já foi dado, como dizem as Caminhantes, agora devo continuar o caminho. Agarro-me aos amigos, às lembranças, a meus pais e a quem segura meu coraçãozinho. Agradeço a todos que aqui passaram, leram, gostaram ou não.
Desisto da posição de escritora de blog, mas não da de leitora, continuarei lendo meus favoritos, o que é, de certa forma, um vício literário.
Espero assim viver menos no mundo virtual e mais no real, escrever em cadernos reais e não em "bloco de notas", conversar com as pessoas ao meu redor, tornar o próximo mais próximo. Espero conseguir, pelo menos na minha vida, o que falta no mundo: diálogo.
É incrível como as pessoas conversam com qualquer um num "chat", adicionam "amigos" que sequer conhecem no Orkut (a nova droga da civilização), mas não conseguem trocar um "bom dia" com o cobrador do ônibus, o motorista, aquele passageiro que passa uma hora ao seu lado, UMA HORA AO SEU LADO, eles são reais, eles existem, os vemos TODOS OS DIAS, pode-se trocar um olhar amigo, palavras...




::Divagações no Escuro::

Que atire a primeira pedra...

"It's only right that you should play the way you feel it
But listen carefully to the sound
Of your loneliness(...)
Well It's only me that wants to wrap around your dreams and
Have you any dreams you'd like to sell
Dreams of loneliness" Dreams - Fleetwood Mac

"Você não é tocada há tanto tempo que o toque acidental de um motorista do ônibus mexe com as suas mais profunda entranhas" Judi Dench como Barbara em Notas sobre um encândalo

Até que ponto o amor é obsessivo? Até que ponto a obsessão é amor?
Quem nunca teve uma pessoa como objeto de sua obsessão que atire a primeira pedra. Ser obsessivo talvez seja normal, o que se faz dessa obsessão é o que diferencia as pessoas, é o que diferencia, por exemplo, eu da personagem Barbara de Notas sobre um escândalo. Ela chega a ser má, vil, cruel, como disseram alguns? Não achei. Inclusive, o escritor do livro que inspirou o filme disse que Barbara parece mais cruel no filme do que no livro, o que me instigou a ler o livro, já que realmente simpatizei com Barbara.
Sei que podem pensar que simpatizei com ela porque sou igual a ela, não acho,mas ela me tocou, de tal forma, que não consigo parar de pensar nela, há tempos um personagem de filme não mexia assim comigo, talvez desde Jeanne Moreau como Catherine em Jules et Jim, personalidades fortes e, ao mesmo tempo, extremamente humanas e reais, mexem demais comigo.
Teimar com uma pessoa, agarrar-se a essa pessoa ou, apenas, à idéia que se tem dela, de uma memória, lembranças, saudades. Martelar na mente, sempre e de novo, imagens, falas, expressões, abraços, olhares, detalhes. Sonhar, todas as noites, com possibilidades, ilusões, encontros, decepções, sentimentos mil. Acordar e demorar para perceber que era apenas um sonho, ou pesadelo, porque a sensação foi tão real, a angústia, o desespero, a felicidade, a incompletude, que simplesmente não passa ao abrir os olhos, dar por si é difícil. E quando se dá conta, é pura solidão e obsessão.

Eu também quero falar

"Será que posso tecer um comentário sobre isso nesse momento?" Woody Allen como Danny Rose em Brodway Danny Rose

Já li e ouvi tantas opiniões, teorias, verdadeiros tratados sobre o filme mais badalado das últimas semanas, Borat, que também quero abrir minha boca grande, ou melhor, pôr para trabalhar essa minha mão boba.
Não há no filme o tipo de humor que eu particularmente gosto, quase não ri no filme, com exceção da tão comentada cena do hotel. Mas não posso negar que o filme seja interessante. E bom. Porém eu me sinto mais inclinada a chorar do que rir das descobertas que o segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão faz viajando pela América (sic).
Borat mostra-se preconceituoso para descobrir os preconceitos alheios e, assim, descobrimos que ninguém estranha se você for comprar uma arma que seja a melhor para matar judeus ou que tudo bem se você quiser comprar o carro que mais facilmente mate alguém ao atropelá-lo. E, claro, já ia me esquecendo, vamos bater palmas para o Bush e sua guerra do Iraque.
Mais do que qualquer outra coisa Borat revela o complexo de superioridade dos americanos (sic) e suas hipocrisias cotidianas.

Uma verdade inconveniente

A verdade inconveniente é que o filme é, na verdade, dois em um. A vida e ideologias de Al Gore + o aviso sobre o aquecimento global. O filme não deixa de ser uma tentativa louvável, tendo como alvo o público dos EUA. Bom, tudo bem, foram eles que não assinaram Kyoto mesmo.
Outro problema é que quando se trata de questões ambientais a verdade é que quem se interessa por saber mais, ver o filme, entrar no site do Greenpeace, do SOS Mata Atlântica, andar de bicicleta etc, são as pessoas já conscientizadas, na projeção mesmo que fui ver tenho certeza de que ninguém ali duvidava da realidade do aquecimento global.
Dois momentos mostram bem que Al Gore é diferente de Bush mas ainda sim um típico americano (sic): 1) ao falar da infância na fazenda de seu pai ele deixa escapar que uma das coisas que se podia fazer por lá era "atirar seu rifle", uow...2)num momento de incentivo e motivação para reagirmos ele mostra do que a humanidade já foi capaz de fazer unida, uma das imagens é o Muro de Berlim e ele fala "juntos conseguimos acabar com o comunismo", hein? Viva o Al Gore! Se fosse acabar com as ditaduras, é..., com as diferenças sociais, vai lá, mas encher a boca para falar da derrubada do comunismo...
Como alarme do aquecimento global é bem feitinho, é de chorar a história dos ursos polares que se afogam por ter de nadar mais de 100km sem achar gelo para descansar, buá.


::Curtindo a vida adoidado::

Recomento fortemente a exposição Mulher Mulheres na Unidade Provisória do Sesc Av. Paulista. Obras tocantes de profunda sensibilidade e contestação à condição da mulher no mundo atual, destaque para a obra de Vito Acconci (foto).



::Sábias palavras::

"É tudo osso,eu vou no açolgue e tem um monte."
Frase de uma garota durante uma aula de anatomia sobre a estrutura óssea, causo narrado por uma amigona que faz Biologia.

::A pergunta que não quer calar::

Por que as mulheres não podem andar por aí sem camisa?