segunda-feira, maio 26, 2008


::Sábias Palavras::

"Verso un regno dove buongiorno vuol dire veramente buongiorno." Frase final de Milagre em Milão de De Sica

"I thought I would cry for you forever, but I couldn't so I didn't." Regina Spektor

::Hoje eu acordei::

Com o pior sentimento que posso ter, e que odeio ter, com dó de mim.

::Escritos de Revolta ou Aforismos de Amor::


Tudo o que você faz um dia volta para você.
Cada um escolhe com que frasco quer lutar.
Cuida do seu que eu cuido do meu.
Nunca nada leva a lugar algum.
Faça o que eu digo mas não o que eu faço.
Quando a carência é grande qualquer elogio de qualquer um basta.

::Dicionário::


Arrufo - agastamento ou mágoa de pouca duração entre pessoas que se estimam.

::My headphones saved my life::


Fidelity - Regina Spektor

I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music

And it breaks my heart
It breaks my heart

And suppose I never met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you kiss me so sweet and so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose we never ever called
Suppose I kept on singing love songs just to break my own fall
Just to break my fall
Break my fall

All my friends say that of course its gonna get better
Gonna get better
Better

::Pensando...::


Texto por demais manjado que a internet eternizou como sendo de Shakespeare,mas...vai saber... Pode ser meio piegas, mas há nele frases que em algum momento da vida fazem mais ou menos sentido, por isso escolhi algumas que realmente fazem sentido agora, quem sabe daqui alguns anos eu retorne a ele e escolha outras frases.

Você aprende

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença
entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que
companhia nem sempre significa segurança.

(...)
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

(...)

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem
você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitem escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos
que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e
você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e
terem bons momentos juntos.

(...)

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência
sobre nós, mas somos responsáveis por nós mesmos.

(...)

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.

(...)

Aprende que paciência requer muita prática.

(...)

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar
com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você
quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com
tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas
vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

(...)

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
William Shakespeare

segunda-feira, abril 21, 2008

::My headphones saved my life::


The very thought of you - Nat King Cole

The very thought of you and I forget to do
The little ordinary things that everyone ought to do
Im living in a kind of daydream
Im happy as a king
And foolish though it may seem
To me thats everything

The mere idea of you, the longing here for you
Youll never know how slow the moments go till Im near to you
I see your face in every flower
Your eyes in stars above
Its just the thought of you
The very thought of you, my love


Happy Together - The Turtles

Imagine me and you, I do
I think about you day and night, it's only right
To think about the girl you love and hold her tight
So happy together

If I should call you up, invest a dime
And you say you belong to me and ease my mind
Imagine how the world could be, so very fine
So happy together

I can't see me lovin' nobody but you
For all my life
When you're with me, baby the skies'll be blue
For all my life

Me and you and you and me
No matter how they toss the dice, it has to be
The only one for me is you, and you for me
So happy together

I can't see me lovin' nobody but you
For all my life
When you're with me, baby the skies'll be blue
For all my life

Me and you and you and me
No matter how they toss the dice, it has to be
The only one for me is you, and you for me
So happy together


::Vivendo e aprendendo::


E de repente, não mais que de repente, por uma adição de palavra no meu vocabulário, me descobri acrática.

::Divagações no Escuro::


Felizes Juntos

A música Happy Together do The Turtles aparece como elemento importante de uns três filmes que eu tenha visto. Outra frase da música foi título do filme Imagine me and you e ela também encerra o ótimo Adaptação, que tem roteiro do Kaufman.

A canção tem gosto amargo ao final do filme de Wong Kar Wai, cada verso nos lembra do amor que podia ter sido tudo e que nada foi, mais uma vez nos filmes de Kar Wai nos deparamos com a impossibilidade amorosa.
A cena em que os dois personagens dançam tango na cozinha da pensão até arrepia de tamanha beleza, a sensibilidade da situação, a sutileza do trato, a iluminação natural, os gestos cheios de amor em meio àquele lugar feio, tudo é tão delicado.
O relacionamento dos dois é totalmente perdido, jamais chegará às Cataratas do Iguaçú. A vida dos dois é tão cheia de problemas e o fato de serem um casal homossexual traz tantas pressões exteriores, implícitas e explícitas, que o relacionamento fica abalado e instável, e eles passam a se machucar entre eles.

Há cenas bastante ousadas de sexo, logo a da abertura é chocante e bela ao mesmo tempo.Tudo é tratado com naturalidade e em momento algum há julgamento quanto ao sentimento dos dois, tudo corre como se eles fossem um casal heterossexual, o que é ponto para Kar Wai já que no cinema isso é tão difícil.
"Vamos começar de novo" é o que o personagem de Leslie Cheung sempre diz a Tony Leung e ele sempre aceita. Eles vivem se magoando, o ciúmes é doentio, obsessivo, eles estão num país estranho, de língua estranha e têm só um ao outro.
A trilha sonora tem Caetano Veloso, Frank Zappa e Astor Piazzola.
Veja a cena do tango no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=2L8KHtUK3xY&feature=related

terça-feira, abril 08, 2008


::Elas não usam sutiã::


Tenho a impressão de que nos dias de hoje não usar sutiã é um absurdo tão grande quanto não ter celular: coisa de gente retrógrada. Afinal, o ato feminista de queimar sutiãs ficou lá na década de 70.
Experimente sair de casa, você mulher moderna, "livre", do século XXI, sem seu sutiã, vestindo uma camiseta tradicional - não precisa exagerar, não precisa ser branca. Os homens a olharão com um imenso ponto de interrogação em seus rostos, as mulheres a olharão com ódio no olhar. Sim, sinto uma pontada de ódio em seus olhos, como se a minha opção de andar por aí sem nada me apertando fosse uma afronta pessoal a cada indivíduo do gênero feminino da raça humana.
Não saio por aí confortavelmente porque sou uma feminista - embora eu o seja - que acredita ser o sutiã uma forma de opressão forjada pela sociedade patriarcal e seu bando de porcos chovinistas. Eu apenas exerço meu direito.
Não faço passeata para que as mulheres abandonem o uso do sutiã, mas faria uma pelo direito de fazê-lo se não me fosse permitido. Se vívessemos realmente numa "sociedade livre" eu poderia andar pelas ruas sem roupa nenhuma, com tudo de fora, e muitos adorariam fazer o mesmo. Mas se pudessemos ver todos nus, as revistas de nudez não venderiam tanto.
A sensualidade e até mesmo a sexualidade não estão no corpo nu, são ambas muito mais do que isso, mas o fato de termos um dia nos coberto fez com que o descoberto fosse pornográfico. Um dia motrar os tornozelos, ou as canelas, foi nudez escancarada. Onde se usam burcas, mostrar os cabelos é desacato.

"Ela dorme todas as noites de sutiã porque quando era menina uma das amigas da mãe disse a ela que esta era a maneira de evitar que os seios caíssem. Todas as noites! Eu já disse a ela que isso é inútil. Já disse que ela poderia passar a vida inteira na horizontal, com os seios presos numa fôrma de aço, e que mesmo assim eles iam acabar parecendo bolsas vazias." (Anotações sobre um escândalo, Zoë Heller, p.179 - ainda bem que estou na casa dos 20!)

*tirinha do Adão publicada na Folha.


::Mote::


Eu não sabia que não sabia até saber.


::My headphones saved my life::


Três - Marina Lima

Um
Foi grande o meu amor
Não sei o que me deu
Quem inventou fui eu
Fiz de você meu sol
Da noite primordial
E o mundo fora nós
Se resumia a tédio e pó
Quando em você
Tudo se complicou

Dois
Se você quer amar
Não basta um só amor
Não sei como explicar
Um só sempre é demais
Pra seres como nós
Sujeitos a jogar
As fichas todas de uma vez
Sem temer naufragar

Não há lugar pra lamúrias
Essas não caem bem
Não há lugar pra calúnias
Mas por que não nos reinventar?

Três
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com seu sexo junto ao mar.


Os Cegos do Castelo - Nando Reis

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno
que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho
O lugar
Pro que eu sou

Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revolver venha
explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
que restou

E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
Se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim

::Sábias Palavras::

"Até mesmo o desejo de repressão é um desejo." (frase de um prof. numa aula sobre Spinoza)

::Favoritos::

Você nunca me perguntou qual meu filme favorito. Quando vai me chamar para ir ao cinema? Você nunca assistiu ao meu filme favorito, aos meus filmes favoritos, e eles jamais serão nossos filmes favoritos, eu fatalmente nunca vou assití-los com você. Filme favorito é como livro favorito, depende da fase que se está vivendo e sempre pode chegar um melhor, sempre se pode descobrir um que agrade mais do que o escolhido anteriormente. Você nunca me perguntou qual meu filme favorito.


A meia amarela era minha preferida, perfeita para o tamanho do meu pé, combinava com todos os meus tênis, a mais confortável. Outro dia saí com meu All Star furado e esse par de meias amarelas. Choveu. Torrencialmente. Pisei em várias poças. Agora, por mais que eu lave as meias elas estão irremediavelmente encardidas, sujas, enegrecidas, imundas, as manchas negras nos calcanhares e debaixo do dedão não saem, de jeito nenhum. Porém, continuarei usando meu par de meias favoritos.


::Minha falta de memória e eu::

Outro dia saiu no jornal uma reportagem sobre os dez anos de publicação de blogs em português, lembrei-me então dos vários blogs que mantive desde junho de 2003, mês de meu primeiro post. Decidi então vasculhar os meus blogs, procurar os melhores textos e publicar aqui também. Aí vão eles.

Em terra de analfabeto, Paulo Coelho é rei!

Estou afadigada, aplastada, bombardeada, combalida, consumida, desgastada, embotada, enfraquecida, esfalfada, esfandegada, esgotada, estafada, exaurida, exausta, extenuada, fatigada, lassa, moída, pregada, quebrada, quebrantada, cansada!
Estou cansada do verde-amarelismo confundido com patriotismo que nos assombra a cada quatro anos, estou cansada da ignorância mantida e desejada por todos, alimentada pela falta de instrução, pela novela das oito, das sete, das seis, das cinco e meia, estou cansada do futebol como meta na vida, estou cansada do ser-mulher-de-jogador-de-futebol-ou-qualquer-ricaço como meta na vida, estou cansada, cansada, cansada dos esteriótipos de magra-bunduda-peituda-cabelo-longo-liso, de bombadinho-saradinho-sem-pêlo-loiro-dos-olhos-azuis, de cabeças vazias, estou cansada de setas que têm a pretensão de me dizer de que lado devo andar na calçada para evitar trombar com o-outro-tão-indesejável, para evitar que eu perceba que outros existem, estou cansada de cancelas que delimitam e me apertam como gado ao entrar no matadouro apenas para "conter" a multidão ao entrar em seu meio de transporte, estou cansada da sensação de que tudo o que o Estado concede, é isso, uma concessão, por piedade e não por ser seu dever, estou cansada de ter o dever de votar e não o direito de votar, estou cansada, cansada, cansada de ouvir os mesmos discursos-vamos-enganar-nossa-população-mantida-por-nós-ignorante-e-faminta, desse espetáculozinho particular que são as eleições, estou cansada dessa política do pão-e-circo-sem-muito-pão da Copa Mundial de Futebol, estou cansada de decretos escrotos que oficializam a caipirinha como bebida oficial do Brasil enquanto o açaí é patenteado no Japão, estou cansada da falta-do-que-fazer, estou,sim,continuo,cansada do país do carnaval, do futebol onde tudo é permitido para o gringo ver, onde todos arreganhamos as pernas para o gringo ver e quando ele vai embora, depois da quarta-feira-de-cinzas voltamos a ser o país de terceiro mundo que ainda tem hanseníase, o país hipócrita-cínico-falso-puritano, estou cansada de ver putaria e aos domingos ver igrejas cheias, estou cansada dos domingos na televisão burrificante, estou cansada, cansada, cansada de Faustão-Gugu-Galisteu-Bernardes-Bonner-Casseta-Planeta-Zorra-história-sem-fim, estou cansada da Academia Brasileira de Letras, da Câmara, do Senado, da Granja do Torto, estou cansada do analfabetismo crônico, estou tão cansada, cansada deste texto cansativo e eterno, cansada...

Postado no "Sem Conhecimento de Causa" a 01/06/2006.


Na frente de batalha

Na velha e eterna guerra "shakesperiana" entre a razão e o coração, quem tem de se render? O mundo capitalista competitivo está nos transformando em indivíduos cada vez mais egoístas, menos dispostos a nos perder de amor. Terá terminado a época de fugir pela janela do quarto numa corda de lençóis para viver com o príncipe encantado? Terá sido alguém feliz assim? Do que abdicamos, quais grandes esforços somos capazes de fazer por amor? Amor de amigo, amor de pai, amor de mãe, amor de amante... lutam contra o orgulho, egoísmo e a correria do dia-a-dia.
O amor próprio deve superar o amor ao próximo? Até que ponto a razão é puro amor próprio? Humilhação é algo muito relativo, o que pode me humilhar pode apenas deixá-lo "sem graça", pode o amor ser humilhante? Renunciar a seus princípios por amor é se humilhar? Há aqueles que mudam de religião, os que mudam de país, obstáculos diversos estão entre a idealização e a realidade entre duas pessoas, há os que os enfrentam e há os que desistem.
Os seres humanos somos animais racionais, será a "voz do coração" um instinto ou uma racionalização dos sentimentos? Ao tomar uma decisão, o que deve vencer na balança? Qual voz ouvir?

Postado em "Futura Astrônoma" a 10/10/2004.


Exorcizando Fantasmas

Muitos dos nossos fantasmas nos perseguem vez ou outra. Mas e quando se vai atrás de seus fantasmas?
Pensando exorcizá-lo, persegui meu fantasma, mas não adiantou. A respiração ficou pesada, o coração bateu mais rápido: pior do que aparecer um fantasma para você é você aparecer para seu fantasma. Será que fiz eu o papel de assombração? Será que sou eu também um fantasma? Um fantasma de meu fantasma?
À distância suas formas pareciam diferentes das de anos atrás, sim, meu fantasma parecia mais forte. Ele vem se aproximando, eu não me mexia, tentava esboçar um sorriso, mas é difícil quando uma assombração se aproxima tão rápido.
Oi!
Enfim, suas feições eram as mesmas, as palavras, a entonação que dava a elas, o jeito de entortar mais um dos cantos da boca, sim, meu fantasma ainda era o mesmo, e aí está o problema: sendo o mesmo, continua a ser fantasma, meu, minha assombração.
Como São Tomé, precisava ver para acreditar, quis ver para acreditar que o fantasma havia se esvaecido, exorcizá-lo mesmo, tirá-lo de minha cabeça, fazer uma sessão de descarrego.
Mas, confrontando-me a ele, que surpresa, continua tão assustador quanto antes, muito antes, muito assustador. Prestei atenção a cada detalhe, de cada palavra a cada músculo de seu corpo de lençol branco com dois furinhos para os olhos. Olhei bem. E depois fugi!

Postado em "Novela das Oito" a 02/12/2006.

Pans and the City

Frases ditas, músicas dançadas, beijos dados, desejos consumados... amores consumidos.
Quando o doce acaba, ainda há o "resto" na panela, que precisa ser raspada, lavada. Assim vão-se os amores - os ou o?- a calda, o recheio, mas fica sempre aquela "sujeirinha", o incômodo, o "e se...?".
"E se eu não tivesse terminado? E se ele não tivesse terminado? E se eu não descobrisse a traição? E se ele me amasse?" E, assim, sofremos por um futuro que jamais viveremos, simulamos reações, ações, que jamais acontecerão. Lembranças dos bons momentos, das brigas, dos "eu te amo", dos "eu te odeio", de um passado ao qual jamais retornaremos.
Jamais, não é tão ruim quanto nunca, apesar de significar a mesma ausência de esperança. Juramentos são cheios de "jamais" e o amor é cheio de juramentos. Todos esquecidos quando se quer raspar a panela, quando, aparentemente, o amor acaba.
Eu preciso esquecer das juras, dos jamais, dos "e se...?", das lembranças. Quero experimentar uma nova receita, enquanto você se lambuza com sua novidade. E eu, ingênua, acreditando na inesquecibilidade do amor, sofrendo seus sintomas. E eu, arrogante talvez, crendo ser insubstituível.
A frase precisa sair desses lábios cerrados, de uma vez por todas, ser gritada, chorada, implorada:
- Farei com você o mesmo que fez com nosso amor: ESQUECER!

Postado em "and the City" a 02/03/2005.

::Entretien avec toi::

Você ainda me admira?
Você ainda acha interessante a minha visão de mundo?
Você ainda me deseja?
Você ainda terá momentos de deslumbramento comigo?

sexta-feira, março 28, 2008

::Coca Cola Blues::


Abre a porta. Fecha a porta. Caminha então pelo curto corredor até a sala sem cortinas iluminada pelas lâmpadas incessantes dos prédios e bares da cidade que não fecha seus olhos.
A embalagem prateada de Marlboro cintila na escrivaninha, a lua pequena de verão se esconde por trás das nuvens cheias de garoa fina. Os pés descalços andam até a cozinha, o corpo quente abre a geladeira, a angústia se encontra numa garrafa de Coca-Cola.Enche um copo de boca larga do líquido que explode bolinhas de gás em sua superfície, um espetáculo de fogos de artifício em miniatura.
Agarra o copo suado como quem se segura num ônibus fazendo uma curva fechada em alta velocidade.Volta à sala, fita mais uma vez os cigarros, olha ao redor em busca de um isqueiro, pensa nos pulmões apodrecidos, nos fetos abortados, nos cânceres de língua, garganta, bexiga, estômago, pensa na impotência - grande ironia! Finalmente abre a caixinha, puxa um símbolo sexy clássico de filmes e fotografias e séries, de filtro amarelo, coloca na boca, sente-se uma grande estrela, Rita Hayworth, senta-se na poltrona.
A
sala tem duas janelas paralelas entre si, os sons e as luzes entram e saem constantemente, infindavelmente, como se o exterior atravessasse a sala de ponta a ponta, cravando a realidade naquilo que podia ser apenas alucinação.
O que fode é a lucidez, a sobriedade, o retorno à percepção de que a dor é real.
Ela dá uma tragada profunda, solta a fumaça envenenada pelo nariz e enfrenta um enorme gole da Coca-Cola. Há alguns minutos tocava Bob Dylan, o que aconteceu? Para onde se esvaiu aquela voz anasalada que ouvira desde o quarto?
O cigarro dura seis ou cinco tragadas. A queimação do refrigerante descendo com seus pequenos rojões pela garganta só antecipa o efeito que mais tarde terá sobre uma gastrite, e assim também a enxaqueca terá seu gatilho preferido. Seria melhor que tivesse tomado as anfetaminas e a cerveja. Mas esse é o seu modo de sentir-se por dentro, provocando as doenças adormecidas para se lembrar de sua própria existência.
Cogita dormir o resto da noite ali mesmo, na poltrona quadrada de 1x1m. Fuma até chegar ao filtro, deixando o gosto de fuligem, coloca o resto do resto no cinzeiro, o copo vazio no tapete e se encolhe.
O desalento aumenta quando da tentativa de diminuí-lo no ato de encolher-se, como se sua mãe fosse vir beijar-lhe os cabelos e dizer que tudo ficará bem, ela fecha os olhos apertando-os com toda a força. Abre-os e se dá conta de que esperava estar em outro lugar quando os abrisse. Percebe que no amanhecer a sala ficaria irritantemente clara, o que a faria acordar daqui umas três horas.
Resolve tentar assim mesmo, imagina possíveis sonhos que seriam agradáveis. Não dorme. Revira-se. Estica uma perna, estica outra, coloca a cabeça no braço da poltrona e os braços tampando os olhos. O tempo não tem fim. O tempo não tem fim. Suspira. O tempo não tem fim.
E ela queria ser a garota de alguém, não como propriedade, não se pode ser dona do que não tem preço.

::Xeroftalmia::


Um amigo (http://www.jackaseltov.com/) disse: "Não se chora de vermelho, de vermelho mata-se, de vermelho morre-se".
Hoje saí de casa vestindo vermelho.

::Mote::


A vida que podia ter sido e que não será.

terça-feira, março 25, 2008


Ne me quitte pas - Jacques Brel

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas


Empty - The Cranberries

Something has left my life,
And I don't know where it went to,
Somebody caused me strife,
And it's not what I was seeking.

Didn't you see me, didn't you hear me?
Didn't you see me standing there,
Why did you turn out the lights?
Did you know that I was sleeping?

Say a prayer for me,
Help me to feel the strenght, I did.
My identity, has it been taken?
Is my heart breakin' on me?

All my plans fell thought my hands,
They fell thought my hands on me.
All my dreams it suddenly seems,
It suddenly seems,
Empty

domingo, março 23, 2008

Numa pintura de Edward Hopper





Pinturas de Hopper:
Eleven Am
Summer Interior
Hotel Room

domingo, março 16, 2008

::Mosh (ou Sobre a possibilidade do retorno ás mascaras quando da chegada das primeiras larvas)::


Advertência: esse texto não é uma carta aberta, e sim uma bola de pêlo.

Eu, a que não me entregava.
Eu, a que não corava.
Eu, a que não me mostrava nua e crua.
Eu, a definida pelas negativas.
Um passo em falso e me apaixonei. Nunca amamos se não estivermos desprevenidos, o amor nos pega de surpresa em seus imensos braços monstruosos e peludos e nos arrasta pelos cabelos até sua caverna, onde revezaremos entre a diversão e a tortura.
Eu então tirei a roupa para ela, toda ela, inclusive as meias, e me entreguei. Levei as mãos ao alto, nua em pêlo e caminhei lentamente sem medo até a beira do abismo, deixando-lhe o poder de me segurar ou me dar um empurrão. O vento batia e eu arrepiava, o sol ardia e eu queimava.
Eu, a que não me entregava.
Eu, a que não corava.
Eu, a que não me mostrava nua e crua.
Sem defesas, transformei-me. À la Gregor Samsa metamorfoseei-me a ponto de não mais me reconhecer. Só havia uma maneira de me ver, de me encontrar, apenas vendo meu reflexo nos olhos dela. Mais importante passou a ser como ela me via do que minha imagem diante de mim num espelho. E isso não me abala. Eu era o que para ela sou. Não é isso o amor?
Eu queria poder querer gritar, xingando, mandá-la tomar no cu e ir se foder. Virar as costas às escarpas e jogar-me, pelo menos um último ato que talvez nada dela contivesse.
Mas quem sou eu agora que vejo seus olhos fechados? Não sei mais quem sou.
Eu, a que não me entregava.
Eu, a que não corava.
Eu, a que não me mostrava nua e crua.
Vejo-me barata estendida no chão com as patas viradas para cima sem conseguir colocá-las para correr. Agonizo. Vagarosamente as primeiras larvas vêm se arrastando e não há sequer chinelos por perto - entreguei-me sem sequer um mata-moscas.
Abandonada, enlouqueço, sentindo cada mordida pequena e doída das miúdas larvas moles e brancas de olhos vermelhos.
Eu grito!
Eu choro!
Eu imploro!
Eu
...
imploro!
E sua silhueta que se desenha sob a luz cruza os braços e permanece de olhos fechados, negando-me meu eu.
Se abre os olhos talvez os invadam poeira, se descruza os braços talvez lhe sejam muito pesados. Leva tempo para se acostumar com o asco causado pelas baratas. O asco gerado pelo medo de se transformar em uma.


::My headphones saved my life::


Duvet - Boa

And you don't seem to understand
A shame you seemed an honest man
And all the fears you hold so dear
Will turn to whisper in your ear
And you know what they say might hurt you
And you know that it means so much
And you don't even feel a thing

I am falling, I am fading,
I have lost it all

And you don't seem the lying kind
A shame then I can read your mind
And all the things that I read there
Candle lit smile that we both share
And you know I don't mean to hurt you
But you know that it means so much
And you don't even feel a thing

I am falling, I am fading, I am drowning,
Help me to breathe
I am hurting, I have lost it all
I am losing
Help me to breathe