sábado, março 07, 2009


I don't want to talk about it - Danny Whitten

I can tell by your eyes that you've prob'bly been cryin' forever,
and the stars in the sky don't mean nothin' to you, they're a mirror.
I don't wanna talk about it, how you broke my heart.
but if I stay here just a little bit longer,
If I stay here, won't you listen to my heart, whoa, my heart?

If I stand all alone, will the shadow hide the colors of my heart;
blue for the tears, black for the night's fears.
The star in the sky don't mean nothin' to you, they're a mirror.
I don't wanna talk about it, how you broke my heart.
but if I stay here just a little bit longer,
if I stay here, won't you listen to my heart, whoa, my heart?
my heart, whoa my heart, this ol' heart.

I don't wanna talk about it, how you broke my heart,
but if I stay here just a little bit longer,
if I stay here, won't you listen to my heart, whoa, my heart?
My heart, whoa, my heart.


Prá dizer adeus - Titãs

Você apareceu do nada
E você mexeu demais comigo
Não quero ser só mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais

Às vezes fico assim pensando
Essa distância é tão ruim
Porque você não vem prá mim?
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais

Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis...
Não dá prá imaginar quando

É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

::My headphones are trying to save my life::


"Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele eu não quero aquilo
peixe na boca do crocodilobraço da Vênus de Milo acenando ciao
Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro este hoje escuro
Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos
Quero a Guanabara quero o rio Nilo
Quero viver quero ouvir quero ver"


"You told me you loved me
Why did you leave me, all alone"


"Tempo atrás
Este tempo está lá atrás
E eu não tenho mais o que fazer, não"


"Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num Caleidoscópio sem lógica
Quem vai pagar as contas
Desse amor pagão
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Prá gente não ter nunca mais
Que terminar..."


"Get over the sorrow, girl
The world is always going to be made of this
You can trust in it
Unless you breathe in
Bravely
All the still-born love that could've happened
All the moments you should have embraced
All the moments you should have not locked up
Understand
So clearly
To shut yourself up
Is the hugest crime of them all
You're just crying after all
To not want them humans around
Anymore"


"Seu beijo sumiu do meu rosto
Meu sangue subiu a cabeça
Queria olhar para você
Mas sem ter que olhar para trás
Meu sorriso não é tão largo
Estou feliz mas às vezes choro
Jogo meu corpo no espaço
Ah, hoje faz...
Hoje faz um dia lindo de morrer..."


Trechos das músicas: Bandeira - Zeca Baleiro
Cry me a river - Justin Timberlake
Ainda gosto dela - Skank
Pneumonia - Björk
Um dia lindo de morrer - China


::Vivendo e Aprendendo::


Já faz um tempo que parei, por causa do joelho, mas andava muito de bicicleta por aí, e, não sei como, nunca havia "botado reparo" que existem bicicletas para mulheres e bicicletas para homens. Certo, eu sabia que existia a Ceci, eu mesma tive uma quando criança, mas isso faz parte daquele típico sexismo para crianças. O que não sabia é que o formato da bicicleta é diferente quando feminina ou masculina, e então descobri que sempre andei em bicicletas masculinas. Who cares?
A diferença está no tubo superior do quadro, que nas bicicletas femininas é mais baixo ou curvo para baixo, tentaram me explicar o porquê,mas ainda não estou convencida dos reais motivos disso.













::Sábias Palavras::

"O conhecimento constitui originariamente um instrumento a serviço da vida" (Schlick)

::Rapidinhas Cinematográficas::
(a preguiça é demais para divagações no escuro)

No último mês não vi tantos filmes quanto gostaria de ver, mas me surpreendi com a diversidade, pela primeira vez deixei de lado alguns preconceitos, joguei-me no sofá, entregue que estava às lamúrias, e assisti de tudo, de vencedores de Oscar como Sangue Negro até um suspense horroroso como Possuídos e o romântico P.S.Eu te amo, passando pelo novo do Honoré (esse vi no cinema), A Bela Junie. Sem fôlego para grandes divagações, alimentarei minha vontade de escrever sobre os filmes que vejo com pequenas porções de opiniões. (Quantos ecos, as rimas não foram intencionais)

Sangue Negro - Alguém lembrou de Giant? O tema é interessante, mas talvez o filme não se aguentasse sem o Daniel Day-Lewis, que dá um show enlouquecendo. A sequência na pista de boliche não sairá da memória.

Vida de Menina - Filme nacional que não se passa na favela do Rio nem no sertão do Nordeste já ganha pontos comigo, filme de época então... Adorei. O filme é muito bem feito, a personagem conquista o espectador e é uma pena que essa figura tenha sido apagada da literatura brasileira, mesmo traduzida por Elizabeth Bishop. A região do ouro de Minas Gerais, com suas tonalidades amarelas, aparece linda e ao mesmo tempo decadente.

Albergue Espanhol - Quero dividir um república com gente do mundo inteiro e fazer parte do Erasmus, o programa de intercâmbio mais famoso do mundo, apenas para europeus. O filme é mais divertido que a sequência, "Bonecas Russas", tem piadas muito engraçadas e um final que me fez pensar em muitas coisas, não é fácil ter seus 20 e poucos anos e esperar uma coisa no fim da faculdade que talvez não seja bem o que você sempre sonhou.


La Belle Personne (A Bela Junie) - Um amigo disse: "Nasceu a personagem que não ficou com o Garrel", ao que eu respondi ser isso bem inverossímel, afinal, quem não cairia de amores por aquele francês? Colocando a tietagem de lado, o filme trabalha muito bem com as dúvidas amorosas da jovem Junie e filma a garota de ângulos de fazer inveja a Godard e Karina, de fazer inveja até a Antonioni e Monica Vitti. É Honoré honrando seus ídolos!

Café de los Maestros - Se você gosta de tango, não perca. Se você gosta de documentários, saia correndo. Mas como o brasileiro "O Mistério do Samba", trocando os estilos musicais, se você gosta de ambos, a experiência é boa.

Vestida para casar - Não é o tipo de filme que eu assistiria normalmente, mas resolvi dar uma chance e me diverti muito, apesar de o filme ser totalmente previsível. Assista à melhor parte, quando o casal canta bêbado num bar "Bennie and the Jets" do Elton John: http://www.youtube.com/watch?v=RDhQ7lMF9zk

P.S. Eu te amo - "Filme de mulherzinha", como diz minha amiga, é aquele tipo de filme em que o seu nível de estrogênio vai às alturas. Eu, particularmente, chorei o filme in-tei-ri-nho, de soluçar, de me acabar. Uma outra amiga me avisou: "Não se preocupe, você nunca vai passar por isso, porque não existe alguém assim", ought! Essa doeu. Será?

In Bruges (Na Mira do Chefe) - "I didn't even know where Bruges fucking was", mas agora quero visitar Bruges. Há algum tipo de viciado que colocou praticamente todos os diálogos do filme no IMDB, então nada melhor do que colocar algum aqui. Nos extras do DVD há uma espécie de trailler só com os palavrões que são falados no filme, e, acredite, são muitos.
"- Bruges is a shithole.
- Bruges is not a shithole.
- Bruges is a shithole.
- Ray, we only just got off the fucking train! Could we reserve judgement on Bruges until we've seen the fucking place?"

quinta-feira, dezembro 18, 2008

::Momentos Paris,Texas::


- Não sinta pena de si mesma.
- Sim, eu sinto pena do meu corpo, pois sei que ele nunca mais será tocado por suas mãos, sinto pena dos meus olhos que nunca mais olharão os seus a milímetros de distância, sinto pena das minha mãos que nunca mais sentirão o seu corpo, do meu nariz que nunca mais respirará o seu cheiro, de minha boca que nunca mais sentirá o seu gosto, e eu posso continuar infinitamente sentindo pena de mim mesma, e de inifinitas coisas maravilhosas que essa eu mesma nunca mais poderei ter.


- Hoje eu vi dois bonsais lindos, um era de uma plantinha que parece arbusto, e outro era de romã, esse tinha três anos, já dava flores, os dois estavam maravilhosos e muito baratos, eu pensei na hora em comprá-los para que um dia cuidássemos deles juntas, mas então eu me lembrei do que havia esquecido por um segundo.


- Oh, há tanto o que eu quero te contar. Eu leio o jornal e já vou recortando, guardando, e,quando me dou conta, lembro do que havia esquecido por um segundo, você não os lerá.


Sentadas na pedra:
- ...
- ...
Que pedra? Não há mais pedra.


::E agora, o que faço eu da vida sem você?::


Você não me ensinou a te esquecer,
você só me ensinou a te querer.
E agora, o que faço com a chave da sua porta no meu chaveiro?
O que faço com essa linhazinha amarrada por você no meu punho?
O que faço com o seu presente de natal?
O que faço com os dois fios de cabelo seu que estão guardados na minha carteira?
E com as fotos, que carrego sempre comigo?
E com essa dor?
O que faço com meu amor? Que é tanto. É infinito e não cabe apenas dentro de mim.

domingo, dezembro 14, 2008




Shame - Morphine

I felt bad but there was
nothing I could do about it
Nothing I could do to make it go away
I felt bad but there was nothing
I could do to change it
Nothing I could do to make things change
This is my shame
I felt bad but I keep trying
to kid myself about it
Trying to tell myself it was an honest mistake
I felt bad but what's done is done
Just one thing remains
This is my shame
I know your mad at me
I know you want to cut my throat
I know you think I think it's all a joke
I don't
I felt bad but there was
nothing I could do about it
Nothing I could do to make it go away
I woke up and thought
Everything's going to be alright
Everything's going to be ok
Then it hit me like a wave
This is my shame

sexta-feira, dezembro 12, 2008


Pierre Bonnard, L'indolent ou femme assoupie sur un lit, 1899.


::My headphones are not saving my life (damn Leoni)::


Depois do fim - Leoni

Mas como eu começo depois do fim
O som da porta batendo atrás de mim
Minha vida se parte em pedacinhos pequenos
O que restou, o que dizer, prá quem ligar, aonde ir?

O vazio total e a urgência de recomeçar
Em que casa, em que rua, em que mundo eu vou morar?
Onde eu vou entre o fim do trabalho e o começo do sono?
Prá te esquecer me entrego pra qualquer bobagem na TV

E eu rezo pra dormir
Mas Deus não quer me ouvir
Eu tento resistir
Enquanto a noite e o céu desabam sobre mim

Sobra espaço no armário e agora aqui
O vazio na alma, na cama e ao redor de mim
Caio em prantos na rua e nem ligo,
Me acostumei com vexames
Volta pra mim, me mostra onde eu errei e te perdi (isso eu sei)

E eu rezo pra dormir
Mas Deus não quer me ouvir
Eu tento resistir
Enquanto a noite e o céu desabam sobre mim


Quem além de você?

Foi só um sorriso e foi por amor
Nenhuma ironia, não foi por mal
Foi quase uma senha pra te tocar
Nem foi um sorriso, foi um sinal

Por trás das palavras, da raiva de tudo
Sorri pra tentar chegar em você
Foi como fugir pra nos proteger
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Porque

Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?

Ninguém tem razão, tenta me entender
E a gente é maior que qualquer razão
Foi só um sorriso e foi por amor
Te juro do fundo do coração

Foi como tentar parar esse trem
Com flores no trilho e acenar pra você
Parece absurdo, eu sei, mas tentei
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer

Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?

Deixa isso passar, e quando passar
Vou estar aqui te esperando
Pra te receber
E sorrir feliz dessa vez
Que esse amor é tanto


::Soulmates never die::


Eu era uma garota fria e calculista, racional e medrosa, pagava de brava e de forte, não me arriscava, não me entregava. Não acreditava em alma gêmea nem em amor eterno. Eu descobri que eles existem, oh, criaturas não mais mitológicas, e agora sei também o porquê de não aceditar nelas antes, porque, se existe alma gêmea, o que se há de fazer depois que a perdemos? Se existe amor eterno, o que farei agora pelo resto dos meus dias? Intrigantes perguntas, revelam muito do que eu fui um dia, e nada do que será a eternidade daqui em diante.

sábado, novembro 08, 2008

::My headphones saved my life::


Ontem ao Luar - Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara

Ontem ao luar
Nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste
O que era dor de uma paixão
Nada respondi
Calmo assim fiquei
Mas fitando azul do azul do céu
A lua azul e te mostrei
Mostrando a ti dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e assim te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima nos olhos a sofrer
A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que só sei sentir
É mistér sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunto ao luar travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
pergunto ao luar do mar a canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
Se tu desejas saber o que é o amor
Sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe o monte a beira mar ao luar
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
Ouve o silêncio a falar da solidão
De um calado coração
A penar a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal a dor silente universal
E a dor maior que a dor de Deus
Se tu queres mais
Saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da melancória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vive assim tão triste a suspirar
A palpitar em desesperação
Na queima de amar de um insensível coração
Que a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está
Mas que ao sepulcro fatalmente o levará

N - Nando Reis

E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

E agora como posso te esquecer?
Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?
E o seu cabelo está enrolado no meu peito?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo

E agora, como eu passo sem te ver?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o n
Como um elo

E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo está moldado
Com o teu?

::Sábias Palavras::


O remorso é "uma consciência com dentes para morder". (José Saramago, Ensaio sobre a cegueira)

::O que eu também não entendo::


Às vezes uma coisa me incomoda tanto dentro de mim que preciso colocar para fora, e então, escrevo. Há coisas sobre as quais nunca consegui escrever, e tenho a impressão de que é por isso que não consigo me livrar delas. Certos pensamentos parecem adquirir materialidade ao serem exteriorizados, assim como os sentimentos. Assim, a dor parece aumentar quando falamos sobre ela, como também a alegria, quando a multiplicamos, dividindo com outros.
Eu tenho histórias dentro de mim que nunca pude contar a ninguém, umas por serem bobas demais, outras por serem sérias demais, umas porque simplesmente não saem por mais que eu abra a boca ou segure a caneta com força, outras porque, talvez, por mais que eu tenha medo de admitir, eu não quero me perder delas. A materialização dos pensamentos também faz com que eles adquiram vida própria, e nunca se sabe até onde eles vão.
Certos acontecimentos eu jamais serei capaz de narrar, certas atitudes não têm uma explicação capaz de ser encerrada em palavras, mas talvez eu é que seja a péssima contadora de histórias. Nem toda história é inventada, existem as estórias e as histórias e, por mais que eu tente, de mim só saem histórias. Qualquer ficção banal acaba contaminada por alguma experiência minha, mas tudo bem, se não me engano foi o Amós Oz que disse certa vez que é impossível ser diferente. Vai saber... eu não sei disfarçar, eu não sei enganar.

sexta-feira, outubro 10, 2008

::O Pequeno conto do abraço::


Essa história se deu há cerca de seis meses, numa noite de garoa fina de São Paulo. Eu chorava compulsivamente sentada na sarjeta de uma calçada amontoada de gente na Av.Paulista. Respirei fundo e resolvi me levantar para seguir o caminho para casa, afinal, como diz a minha avó, "é melhor chorar em casa que é lugar quente".
Não podia sequer imaginar a minha face naquele momento, até hoje não posso, o desespero devia estar estampado num rosto borrado, rímel escorrido, cabelo desgranhado. Sem máscara, sem aprumo, sem espelho para retocar uma imagem que nunca fora a minha.
Segui lentamente até o ponto de ônibus, como se sentir aquela dor fosse meu dever, molhando-me daquela chuva que não traria a redenção. As pessoas me olhavam estranho, é verdade, mas desviavam o olhar rapidamente, com exceção do homem que se sentou ao meu lado e que parecia hipnotizado pela minha figura. Desci do ônibus na estação de metrô e continuei pelas escadas rolantes, tentando me controlar para que não saíssem ruídos escandalosos além das lágrimas. Até que senti uma batida em meu ombro.
Uma moça apenas alguns anos mais velha do que eu, num uniforme empresarial, pergunta-me se eu estava bem, eu segurei firme o lenço de papel, funguei fundo e disse sim,sim, está tudo bem. Ela olhou fundo nos meus olhos:
- Você precisa de um abraço?
Bom,eu rejeitei,achei a pergunta,inclusive,muita estranha. Mas não era uma pergunta, era quase que um afirmação, uma constatação. Ela então abriu os braços e me abraçou. Uma completa estranha, me apertou forte contra seu corpo quente e disse no meu ouvido palavras que jamais esquecerei:
-Não se preocupe,moça,vai ficar tudo bem.
Eu agradeci e fui embora.
A estranheza de tal gesto numa cidade como São Paulo, numa dinâmica social como a nossa, me chocou, afinal, é um gesto tão simples, que demanda tão pouco.
Quando cheguei à plataforma, olhei para os trilhos e pensei nas centenas, quiçá milhares de pessoas que se suicidam nos metrôs do mundo. Naquela noite eu não me suicidaria, a idéia sequer passou pela minha cabeça, eu não tinha planos, fatalmente iria para casa, tomaria umas gotas a mais de um remédio para ansiedade e conseguiria, enfim, dormir. Mas quantas pessoas desistiriam de se suicidar se recebecem um abraço de um completo desconhecido? Um abraço não paga as contas, não conserta corações partidos, mas reacende uma chama muito importante: a chama da esperança na humanidade das pessoas. O mundo pode ser uma merda, as pessoas se matam por nada, as pessoas se odeiam, os fortes se aproveitam dos fracos todos os dias,o mundo é injusto, mas são esses pequenos gestos que me fazem respirar fundo e sentir um pouquinho de alegria, um bem-estar diferente,uma humanidade que compartilho com alguns outros.