sexta-feira, dezembro 31, 2010

::Caso ou compro uma bicicleta?::
Não gosto de decisões, escolher um caminho impossibilita, na maioria das vezes, que se volte para a bifurcação anterior e veja o que havia no caminho rejeitado, que nunca mais poderá ser escolhido. A vida seria mais fácil, e talvez menos divertida, se pudessemos ter uma amostra grátis das duas, ou mais, situações antes de fazermos uma escolha. Eu tenho dificuldades imensas em fazer escolhas, sou uma pessoa indecisa e pouco decidida, não precisava nem do meu ex-orientador me dizendo isso enquanto eu me descabelava de chorar (normalmente minha reação diante de uma decisão irremediável), nem de uma psicóloga...
Pois bem, e eis-me aqui, diante de um caminho de terra cheio de bifurcações, olhando ao longe já se vê que, não importa qual caminho eu tome na primeira escolha, logo haverão outras e outras, logo em seguida.
Quando eu me inscrevi no concurso para técnico bancário, nível ensino médio, da Caixa Econômica Federal, eu sequer imaginei que eu passaria. Passei, e passei muito bem, bom, então estava me preparando para ser chamada. Afinal, emprego público não faz mal a ninguém e talvez por isso mesmo eu tenha ido fazer aquela prova num domingo de chuva de dia das mães. Os meses se passaram, eu estava belíssima no meu estágio na Bienal, que começou a ficar cada vez mais cansativo e estressante à medida que “o sistema” se revelava. Trabalhar é chato, já me ensinou um velho amigo, não importa o quanto você ache que gosta do que faz, fazer o que gosta com prazos e horários é sempre chato, ter de se preocupar com o dinheiro que cai na sua conta no fim do mês também é um pé no saco que não tenho, despertador tocando então... Crescer é chato, ser adulto é chato, quero a minha Barbie! Mas enfim, em outubro vem o telegrama, convocatória para exames de admissão. Crise.
Fui entregar os documentos milhares pedidos, assisti a uma palestra explicativa sobre salários e vales e direitos e deveres, e entrei em crise. Uma das convocadas no dia tinha sido aprovada no concurso para engenheiro da Caixa, ganharia 7mil por mês, trabalhando naquilo em que estudou para trabalhar. Crise! Afinal, para que eu estudei 5 anos numa universidade? Para sentar minha bunda num banco com ar condicionado e negar financiamentos para casa própria? Será? Chorei, é claro, nos ombros dos amigos, me desesperei, briguei com os meus pais e torci loucamente para que um mestrado em BH me salvasse da decisão. Não salvou. Fiquei em São Paulo, e já que ficaria por aqui, por que não ganhar dinheiro enquanto estudo? Afinal, dinheiro não cai do céu, ainda mais quando se faz mestrado. Respirei fundo e disse a mim mesma que tudo estava bem, trabalharia seis horas por dia, finais de semana livres, mestrado na USP, destino de dois anos traçado.
Porém, não fui considerada apta para o trabalho pelo primeiro psiquiatra que me avaliou. Talvez biruta demais para um trabalho normal demais. Quer trabalho mais normal do que banco público para uma filósofa-que-se-quer-especialista-em-estética? Quer lugar mais não-belo do que banco? Chorei de novo. Como assim, e agora, ficar em São Paulo, morando do outro lado da cidade, sem um puto para me mudar para perto da USP (sonho de seis anos)? Depois de muita espera e muitos outros convocados para trabalhar na minha frente, fui chamada para uma reavaliação com outra psiquiatra, dessa vez uma louca indelicada que me garantiu que minhas doenças psicossomáticas só piorariam trabalhando num banco e que eu deveria me contentar em conseguir uma bolsa de mestrado, isso uma hora depois de eu ter finalmente colado grau no meu bacharelado. Viva!
E então mais espera, achando que minha maluquice me impossibilitaria de ganhar um dinheirinho vendendo minha força de trabalho baratinho baratinho. E chegamos a hoje, quando minha mãe me liga e diz que recebi um telegrama. Semana que vem tenho que ir para a admissão, escolher a agência e começo a trabalhar na outra semana. Férias curtas, pensei. Devia ter ido para a praia. E agora? Agora é, como diz minha mãe no bordão dos caminhoneiros, “ou dá ou desce”, ou, mais poeticamente com Cecília, “ou isto ou aquilo”.
Ou nem apareço lá, fico só com o mestrado, morando na ZL, dedicando-me aos estudos e a não morrer de estresse na minha casa, porque não vou desperdiçar minha santa inteligência cultivada durante anos ajudando velhinhos no caixa eletrônico, ou vou lá com minha carteira de trabalho que nem tinha, branquinha, assino um contrato de emprego público, escolho a melhor agência possível (critérios:1)perto da USP;2)no centrão;3)perto de metrô), me viro nos 30 dois anos para conciliar trabalho e pesquisa de mestrado, ganho uma graninha e depois de dois anos caio fora com uma bolsa de doutorado.
O que me interessa nesse trabalho não é só o dinheiro, confesso, mas a perspectiva de, terminado o mestrado, poder pedir transferência para qualquer lugar do Brasil, de preferência uma cidadezinha bem pequena, perto da praia, com coreto e sorveteria, e ficar nesse emprego por um tempo para justamente poder morar num lugar diferente. Às vezes acho que sou muito nova, e que nada é para sempre, assim, posso muito bem aproveitar a oportunidade para viver, pelo menos por algum tempo, tranquila e quietinha num canto escondido. Às vezes acho que o tempo é cruel, e que passa rápido, e que estar num lugar confortável faz com que fiquemos nele para sempre, ou tempo demais para poder sair dele depois. Às vezes acho que quero ficar nessa enquanto estudo e não consigo alguma coisa melhor, como cargos de professor, o que exige o doutorado. Às vezes acho que não quero ser “filósofa profissional”.
Se tiver trabalho e dinheiro, e mais o mestrado que já é certo e escolha acertada, creio eu, o que fazer também? Fico em casa, guardo o dinheiro para viagens (oh,adoro!) e “minha casa, minha vida”, ou saio de casa, vou morar perto da USP (seis anos atravessando a cidade me cansaram!), tenho meu canto quieto para estudar e andar de meia? Dinheiro na mão é vendaval!
Por enquanto, eis minha decisão: compareço, escolho a melhor agência possível, começo o mestrado sem disciplinas (não tenho outra escolha nesse caso), trabalho e estudo, e tento não me esquecer de quem eu sou (por vezes pode acontecer). Se um dia fiz uma tatuagem para me lembrar de que sim, seria difícil começar a aprender música com 18 anos e que não podia desistir, embora hoje leve mais no passatempo, agora uso um anel-lembrança de que eu não sou bancária, lembrança do caráter temporário dessa decisão. É preciso marcar para sempre o que se é, para não se perder no caminho, minha maneira é marcar no corpo, e em breve haverá uma nova nota mental em tatuagem. Sapere aude!


::Se conselho fosse bom...::
Minha avó sempre diz que devemos passar a virada do ano fazendo o que gostaríamos de fazer pelo resto do ano que começa, pois, segundo ela, é isso que acontece. Então ela diz: “Por isso fique com sua família, assim você vai passar o ano todo junto deles”. Okay, isso parece mais maldição do que simpatia. Se depender da minha mãe, preparando a primeira ceia em anos, vou passar 2011 comendo, e muito. Bom, o ano passado passei a virada no metrô lotado, em Paris, mas ainda metrô lotado, só que em 2010 de fato passei o ano todo em metrôs lotados, mas em São Paulo. De 2008 para 2009 eu passei feliz na casa da minha amiga de sempre, e foi um ano feliz, diga-se de passagem. A verdade é que, se pudesse escolher como passar a virada e isso garantisse o restante do ano, passaria a virada fazendo sexo. E tenho dito.

::My headphones saved my life::
Um pouco de otimismo para passar mais dois anos em Sampa. Descobri enquanto esperava um filme no meu adorado Cinesesc.

Outras capitais - Itamar Assumpção

Quem quiser final feliz vá pra Florianópolis
Quem quiser pura beleza se pique pra Fortaleza
Quem quiser viver a vida seu lugar é Curitiba
Quem quiser só uma ilha eu recomendo Brasília
Eu já estou cheia demais quem quiser dormir em paz
Que vá pra outras capitais

Quem quiser fugir do frio a Dutra vai dar no Rio
Quem quiser destino alegre que desça pra Porto Alegre
Quem quiser saber da história melhor lugar é Vitória
Quem quiser comer caju é claro que é Aracaju
Eu já estou cheia demais quem quiser dormir em paz
Que vá pra outras capitais

Quem quiser sossego e luz o seu rumo é São Luís
Quem quiser só vida boa que voe pra João Pessoa
Quem quiser nada de mal o seu lugar é Natal
Quem quiser longe a chatice que vá morar no Recife
Eu já estou cheia demais quem quiser dormir em paz
Que vá pra outras capitais

Quem quiser a mente zen que vá pra Belém
Quem quiser curtir duende decerto que é Campo Grande
Quem quiser beber da fonte sossegue em Belo Horizonte
Quem quiser sair da trama embarque para Goiânia
Eu já estou cheia demais quem quiser dormir em paz
Que vá pra outras capitais

Quem quiser só descansar se mande pra Cuiabá
Quem quiser ter boa vista perfeito é Boa Vista
Quem quiser levar à sério que siga pra Porto Velho
Quem quiser lavar a alma o certo é que vá pra Palmas
Eu já estou cheia demais quem quiser dormir em paz
Que vá pra outras capitais

Quem quiser sanar a dor vá sanar em Salvador
Quem quiser mapa da mina descambe pra Teresina
Quem quiser só viajar a lógica é Macapá
Quem quiser entrar no embalo que venha pra mim São
Paulo
Eu já estou cheia demais quem quiser dormir em paz
Que vá pra outras capitais

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Tentando ressuscitar

::Eu tive um sonho, vou te contar, eu me atirava do oitavo andar::
Em Assis tive um sonho bizaríssimo, talvez por conta de estar lendo o Coração das Trevas do Joseph Conrad. Sonhei que uma tribo indígena super violenta me perseguia, tinha todo um enredo, parecia que estava num filme, do tipo A Missão, misturado um pouco com aquela minissérie A Muralha, pelas serras e mares dos locais. O livro do Conrad é bastante envolvente, e as descrições me jogam direto naquele rio selvagem no meio da África, dá até para sentir o calor e a umidade. Assim que puder vou ver de novo Apocalipse Now e tentar localizar onde está o livro no filme, além da figura misteriosa interpretada pelo Marlon Brando.

::O fim e o começo::
Acabo de colar grau. Agora o JupiterWeb informa o início (2006) e o fim do Bacharelado em Filosofia. E agora, José? Quando olho para trás parece que passou muito rápido, quando na verdade sentia, a cada semestre, o tempo se arrastar. A verdade é que voou, é como se ontem mesmo estivesse fazendo matrícula no prédio da História com uma funcionária da seção de alunos extremamente antipática, enquanto davam uma placa para minha mãe escrito: "minha filha entrou em filosofia, onde foi que eu errei?". Sobrevivi a três recuperações, aos seminários de Filosofia Medieval e Filosofia da Ciência, li muito, mas menos do que eu gostaria, bem menos do que eu deveria. Tive satisfações, alegrias, tive medo. Medo de errar de novo, de não dar certo, de no fim não dar em nada. E agora acho que foi uma decisão muito acertada quando resolvi sair do curso de física para prestar filosofia, acho que escolhi bem as disciplinas que cursei ao longo de cinco anos, e que fiz bem em esperar um ano a mais e passar um semestre fora. A decisão errada foi ter cursado apenas um semestre fora e não dois, mas aí são outros 500.
Lembrarei para sempre não só das recuperações sobre Kant, Agostinho e Montaigne, mas também dos cursos maravilhosos do Prof. Terra, do curso maluquetes da arte sem nome, de Deleuze-indecifrável-para-mim e, é claro, do Apêndica da Ética de Espinosa.
A aproximação do final gerou muito desconforto no começo de 2010, mas conforme foi chegando foi ficando inevitável aceitar o prosseguimento dos estudos no mestrado, não que não seja isso que eu quisesse, mas por vezes me iludi achando que poderia dar um tempo, ir fazer outra coisa, alfabetizar adultos no Amazonas, ser guia turística na Europa, enfim, sossegar por um tempo a minha inquietação. Porém não deu nem tempo de pensar, o fim foi chegando e um novo começo teve que ser planejado rapidamente. Às vezes penso que talvez não valha a pena um esforço na busca por bolsas de estudo para fazer o mestrado na França, às vezes acho que o que eu quero encontrar por lá não mais existe, também pode não ser a cura para esse desassossego.
Mas não sentirei saudades dos corredores, dos professores, das amigas da secretaria, do lanche de berinjela da Tia Bia e do gelo da sala pró-aluno. Meu plano de sair da cidade de São Paulo não deu certo, e então continuo por lá. Mas uma porta se fecha. O bacharel. E quando vejo as disciplinas que serão oferecidas para a pós no próximo semestre, para começar com chave de ouro o mestrado, dou de cara com apenas quatro disciplinas, nos campos mais problemáticos para mim e mais distantes da minha pesquisa: lógica, ciência, política e medieval. E agora, José? E nada de disciplinas mais interessantes na Unesp ou Unicamp para alunos externos. O que me resta é inscrever-me no Cepê (finalmente, após 6 anos, a idade, afinal, me chama), acompanhar como ouvinte alguns cursos nas artes plásticas e história, e ler muito, ler muito mesmo, montar um projeto para tentar uma bolsa na Fapesp e dedicar-me sem descanso a minha pesquisa.


Formando
Enformando
Desformando
Informando
Desinformando


::Quero ser Carrie Bradshaw::

Carrie em Paris com o Russo, última temporada, ele a deixa esperando no hotel usando o vestido mais lindo da face da Terra, um bolo magnífico.



::My headphones saved my life::

Enguiço - Adriana Calcanhoto

Eu, hoje,ando atrás de algo impressionante
Que me mate de susto
Um impulso, um rompante
Que é pra me desviar desse mar de calmante
Rodei New York inteira e não te achei
Você mora em Belém

Eu sempre andei atrás de alguém pra andar na frente
Ah, eu quis me apaixonar assim perdidamente
Um engano redondo
O ciúme intuiu meio tarde demais
Ah, o meu orgulho já perdeu teu endereço
Mas o meu coração não
Eu não
Eu não esqueço

Eu, hoje, ando atrás de algo impressionante
Que me mate de susto
Um discurso, um romance
Que é pra me desviar desse mar de calmante
Rodei Belém inteira e não te achei
Você mora com alguém...

Eu sempre andei atrás de alguém pra andar na frente
Ah, eu quis me apaixonar assim perdidamente
Um engano redondo
O ciúme intuiu meio tarde demais
Ah, o meu orgulho já perdeu teu endereço
Mas o meu coração não
Eu não
Eu não esqueço

O meu orgulho já perdeu teu endereço
Mas o meu coração não
Eu não
Eu não esqueço

sexta-feira, maio 28, 2010

nota mental 1 - sentir o corpo
nota mental 2 - ouvir mais música
nota mental 3 - sai do pc e vai estudar que o semestre está chegando, e não há Copa nem Dilma que me salve

domingo, maio 23, 2010

sexta-feira, maio 21, 2010

Retorno sem memória

::Terapia::
Vou ter de fazer terapia e o lance no HU é lerdinho, ou seja, embora eu sinta a urgência da necessidade, a consulta com o psiquiatra que me encaminhará para o psicólogo correto é daqui um mês. Mas ainda acredito na força de vontade,embora esteja cada vez mais difícil nela acreditar. Hoje quando estava passando pela catraca do maldito metrô tive a talvez-não-tão-brilhante ideia de retomar o blog como forma de terapia. Sinto que reclamo demais,nem eu mais me aguento reclamando de tudo para os meus amigos, aqui será então mais uma forma de reclamar. Ê lerê. Mas sempre tive essa leve impressão de que quando eu escrevo o que eu escrevo sai de mim, e quem sabe assim pare de me incomodar. Ou não. Tudo é tão novo.
Bom, de volta a S.Paulo há 3 meses e 18 dias... E contando, e os dias escorrem, e com eles todas as esperanças da nova-eu que desembarcou (ou desaviou) dia 4 de fevereiro que foram para o espaço.
Cheguei mudada, e já mudei de novo, eu acho, ou não, ou essa nova-eu ainda tem que aprender a lidar com uma série de coisas nada felizes. Paris é uma festa! E quando a festa termina, porque ela sim termina, se recompor, sair de casa e ver ruas sujas, escadas-rolantes com o lado esquerdo cheio de gente, carros que não respeitam pedestres, metros e onibus lotados pode ser mais do que um desafio, é uma luta!
E mais e mais
Uma doença nova, e mais e mais descobertas da familia, de mim mesma, dos amores e da falta deles, dos amigos, da potência e da falta de potência...


::Eu devia ter um twitter::
Ontem levei um soco na boca de um louco-super-mal-educado-mas-também-compreendido-embrutecido-com-a-situação no Brás. Linha vermelha do metrô está foda, e quando pára no Brás é deus-nos-acuda, o cara começou a socar quem tava dentro do metrô p/ conseguir entrar,e quem estava na porta? EU! Tome na boca!
Hoje uma moça desmaiou quando o metrô parou mais de 10 min no túnel entre Bresser-Mooca e Belém, um cara acionou aquele alarme e ela foi atendida. Daí alguém foi atropelado na 23 de maio e viva o trânsito! Uma nuvem paira sobre minha cabeça, certeza!

::Agenda-blog::
Eu já ia esquecendo porquê de fazer terapia, não é por conta de Paris, S.Paulo, família, talvez seja, quem sabe a psicanálise me diria isso, talvez precise msm é de análise, mas a princípio é pela minha memória, há anos problemática começou há tempos a afetar mesmo a minha vida, há uns dois anos,mas eu preciso lembrar de estudar, urgente!

::My headphones saved my life (se eu tivesse um)::
Legião Urbana - Tempo Perdido  (ok,cafona!)

Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder."
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens.

sábado, novembro 28, 2009

Jours 52-88 : evitando a contagem regressiva

    A vida a Paris deixou nesse último mês de ser turística para se tornar realmente uma vida de hábitos e rotina, o que de certa forma é bom porque é uma vivência como outras, e é triste, porque sempre há algo muito precioso que escapa quando estamos na rotina: a surpresa. Mas mesmo esse lado negativo teve, enfim, seu lado positivo, me despertar para o fato de que a rotina não pode ser medíocre só porque estou em Paris, que ela também deve ser evitada quando voltar a São Paulo, porque a vida é curta a Paris, a S.Paulo, não importa onde, e tenho que me permitir a surpresa não importa onde.
    A rotina chegou quando a coisa apertou na faculdade, é claro. Uma turista não tem trabalhos a entregar,livros para ler. Esse mês tive uma dissertação e um comentário de texto para fazer, antes das férias tenho duas provas e depois das férias devo entregar outra dissertação e uma "minimemoire". Isso faz com que os dias que antes eram de passeios por Paris acabem sendo consacrados à bibliotecas, e noites a fio acordada em casa. Mas mesmo ir à biblioteca é diferente, primeiro porque elas são muito bonitas,segundo porque aqui toda a dinâmica delas é diferente. As pessoas fazem fila, num domingo, para entrar na biblioteca, onde não há mais lugar para sentar. Eu fiquei chocada com isso. A biblioteca da Sorbonne é belíssima, Sainte Geneviève tem uma aura incrível, nas duas eu não sei se estudo ou se olho a pintura, na primeira, arquitetura na segunda. Tem a de domingo, porque é a única que fica aberta, a Beaubourg no Centre Pompidou, super imensa e "moderna", parece um shopping, tem escada rolante, espaço para comer, mas também é agradável e super clara, porque é toda cercada de vidros.
   Ainda acho que estudo pouco aqui,que poderia estudar mais, mas espero poder atingir a nota média, necessária para ser aprovada, um esforço que me dê 2 ou 4 pontos a mais eu prefiro, sinceramente, gastar em alguma coisa que eu sei que não poderei fazer fora de Paris. Porém mesmo assim adquiri uma consciência maior sobre os estudos com a cultura francesa, mudei minha visão sobre muitas coisas e tenho certeza que isso vai me trazer muitas coisas boas de volta em casa.
   Não sei se escrevo ou não sobre toda a angústia que tomou parte de mim há alguns dias, a dor da partida inevitável e tudo isso. Não sei se quero escrever sobre isso agora, depois que decidi virar um pouco a situação para olhá-la de uma maneira mais positiva e menos triste. Tento ser menos desesperada com a ideia de "preciso ver tudo,preciso absorver tudo,não há tempo" e prefiro respirar fundo o que está ao meu alcance, e, sobretudo, aproveitar também as pessoas que me são próximas aqui e que tenho certeza de que vão deixar uma saudade imensa. É meio besta pensar que Jelena e Zoé poderiam ser minhas amigas para o resto da vida e isso não vai acontecer, mesmo se dissemos a nós mesmas que haverá um reencontro (uma travessia da rota 66 nos EUA).
 
    Nas primeiras semanas, até por mais tempo do que devia, eu, como muito avarenta que sou,economizava em tudo (ainda faço isso),mas também em comida. Como a força das circunstâncias se impuseram fortemente, eu decidi comer tudo que eu visse e tivesse vontade. Assim, comi já não sei quantos tipos diferentes de pão e patisserias diversas, tortas, bolos etc. Comi escargot e pato. Ainda faltam as ostras da Bretanha e o coelho. Crepes sempre que dá vontade e guloseimas. Assim, agora posso dizer, contra o que afirmava antes: há uma verdadeira razão para a França ser considerada a terra da boa comida. Porque a comida aqui é REALMENTE MUITO BOA. Tudo aqui se faz com paixão quando o assunto é comida. O padeiro é um artista, é uma vocação. Fui a uma padaria em Le Havre e quase tive um treco. Como muitas aqui, era gerida por uma família de tradição de padeiros, e havia todo tipo de pão e patisseria, e ainda por cima, nada cara.Macarons sem dó, é verdade que não do Pierre Hermé,mas achei alguns que rivalizam muito bem. Essa semana, inclusive, descobri ao acaso uma lojinha "desde 1925", cheia de coisas boas, uma bomboniere de deixar criança louca e matar diabético, e lá tem macarons "à l'ancienne" que são quase orgásmicos, a partir da primeira mordida o cheiro é inacreditável, e a textura é a perfeição mesma.
   Essas coisas que acontecem ao acaso é que devo continuar a me permitir, não ter pressa, não me engessar, e assim Paris se revela a cada dia em toda sua magia, mesmo a mais simples.


   No fim de outubro as tias do Renan estavam em Paris e numa sexta à noite nos encontramos, no fim fomos jantar juntas e foi genial. O lugar era super simpático e o papo inteligente, fazia tempo que não falava português durante muito tempo,e mesmo se não dou muita importância para isso, às vezes é bom, porque muitas vezes me sinto menos inteligente "em francês". Depois disso foi o final de semana da Sorbonnales, uma festa para os estudantes da Paris IV,mas precedida por uma competição, na qual minha equipe (Filosofia, 6 pessoas, das quais 1 professor, 3 estrangeiras e duas francesas) ficou em segundo lugar, ganhando muitas coisas fofas e um ingresso para a Comédie Française para ver uma peça de Shakespeare em dezembro. Foi quando Lucas chegou, fazia já 4 anos que não nos víamos, mas como Le Havre é muito mais perto de Paris do que Fortaleza de S.Paulo, foi preciso atravessar um oceano para nos unirmos mais uma vez. Ele ficou em Paris por 4 dias e no quinto foi minha vez de visitá-lo.
 
    Normandie: primeira vez que vi o sol se pôr no mar. Uma das duas coisas que queria ver imperativamente durante essa viagem, a outra é neve, e que ela não tarde. Le Havre, apesar de toda má propaganda que o Luke fez, se revelou muito simpática com uma praia linda, de pedras brancas. Cidade destruída pela guerra foi reconstruída durante os anos 50. Não gosto da arquitetura de lá,mas tudo bem. O teatro da cidade foi desenhado por nada mais nada menos que Niemeyer. Podem me chamar do que quiser, mas ao meu ver sua missão é enfeiar o mundo com grandes coisas brancas que parecem saídas de um filme B de ficção científica. De lá fizemos passeios em Honfleur, a cidade dos impressionistas, e Etretat, a cidade das falésias. Honfleur é simpática,o marché é super tradicional mas é mais histórica do que bela, à diferença de Etretat, com a praia maravilhosa, e o sobe e desce das falésias. Como subi e desci,nossa. No último dia, antes de voltar a Paris, fomos a Giverny, com uma parada de 30minutos em Rouen. Nem deu tempo de ir na praça onde Joana D'Arc foi queimada, mas vimos o relógio e a igreja que Monet pintou certa vez. O interesse de Giverny é o jardim de Monet, e sua famosa ponte japonesa. Mas com uma baita chuva e um baita vento, não estava lá essas coisas. Fomos no último dia de visitação antes de fecharem, e só abrem de novo em abril, entendo bem o porquê, afinal é meio frustrante ir até lá e descobrir as ninféas escondidas pelas folhas de outono que ocupam todo o lago.
   Quando voltei ainda tive tempo de aproveitar a última horinha do primeiro domingo do mês para ir ao Pantheon. Nada impressionada pelo descanso eterno de Rousseau e Voltaire (querem agora colocar Camus lá também), gostei mesmo é do pêndulo de Foucaut, que me fez lembrar das aulas de física, eu sempre pensava o quão grande ele seria quando o professor dizia que era necessário que fosse grande. É grande.
   Passeando a fio pela região que chamam de Chinatown em Paris (mas que não lembra em nada a Liberdade e onde há sobretudo restaurantes), resolvi entrar num mercado chinês, Tang Frères, para ver o que havia. E qual não é a minha surpresa ao achar...feijão! Não o branco, não o vermelho, o brasileiro do dia-a-dia, o rajadinho. Ai que alegria. E também um docinho de tamarindo com pimenta, super duper.

   La triste histoire du cafe bresilien - Meu café Três Corações Extra Forte acabou. Devia ter trazido mais, porque o café de um preço aceitável aqui é completamente inexpressivo, fraco e tem um gosto super estranho, fora que é preciso colocar bastante pó para fazer um cafezinho. Dommage.

   Quoi de plus? Macarons, campeonato de esgrima, visita maluca a IKEA (eu quero morar na França e mobiliar minha casa com IKEA), brunchs e mais brunchs no bandejão no domingo de manhã (ai, mto Sex and the City), barco pelo rio Sena (com o "bilhete único"), visitar um metro "de verdade",se é que isso existe.... Festa de 20 anos da queda do Muro de Berlim na Place de la Concorde seguida de visita a Torre Eiffel e dança diante da torre, definida por Jelena como um dos itens da lista de "coisas para fazer antes de morrer" (mesmo se detesto esse tipo de livro, que me despertam uma angústia de viver), gelatto italiano de morango muito bom mas que ainda dá vontade de ir a uma das lojas da Hagen Dazs.  Encontro dos habitantes da residência no Hide Out, festival de cinema franco-coreano, o melhor crèpe salgado da história no capricho.
   Versailles! Finalmente a entrada triunfal pensando em Ceremony do New Order, é o cinema mexeu muito com a minha cabeça. Gostei muito mais do jardim do que do palácio, onde a coisa mais interessante é a porta encondidinha por onde Marie Antoinette tentou se escapulir da gilhotina. O jardim é gigantesco, andamos muito para ir ao domínio de M.A., onde há o Trianon, realmente lindo. Essa visita foi com Zoé e uma de suas irmãs gêmeas (elas são três), Adèle.
   Duas visitas magnificas com comidas idem à casa de Elsa, como uma à casa de Sebastien, também com comida idem, meus queridos alsacianos. Decidi por passar o Natal com a família de Zoé justamente na Alsace, e isso me parece um ótimo plano. Visita à Catedral de Saint Denis, muito mais do que eu esperava da primeira construção gótica da história. Café Deux Magots, o café existencialista, com Filip, meu amigo polonês que faz curso de árabe. Balé contemporâneo na belíssima Opera Garnier, museu de ciências e indústria no Parque da Vilette e conhecer um marroquino que tocava um instrumento egípcio muito hipnotizante, pizza com Han, uma nova amiga chinesa (Jacy, Cris,pas de souci). Uma tentativa frustrada de uma boa soirée na ponta da Ile-de-la-Cité interrompida quando uns caras mal encarados  que chegaram a mim e Jelena para dizer "vocês têm medo?", pode parecer engraçado,mas entramos em pânico. Um patê de tudo quanto é parte do porco que não é completamente ruim mas que cheira tão mal que não quero mais comer, e a descoberta obrigatória de novos doces na padaria mais próxima da gula.
  
   Salão do vinho de Paris. Devo dizer que se antes me interessava pelo vinho de maneira mais ou menos inofensiva, agora, depois de escutar nomes de vinhos e uvas a perder a conta, quero mais é me tornar enóloga. Há duas semanas fui numa degustação do Beaujolais nouveau, convidada pela Parismus. Hoje fui ao Salão do vinho de Paris, convidada por Christian, um amigo mexicano do CouchSurfing. Em três horas não demos conta nem de um quarto da expo, e nem degustei muitos vinhos tintos, tentei alguns chardonnays e o mítico (falo que os filmes mexem com minha vida, tudo por causa de Sideways) pinot em suas versões gris e blanc, mas ficamos, Noelle e eu, no Montbazillac e sua família, Cadillac, Sauternes, Loupiac, brancos licorosos da região de Aquitaine. O que mais dizer...sem comentários sobre os vinhos franceses, pas besoin.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Jours 36 - 51 (mais fácil seguir as fotos...)

A primeira semana de aulas se passou muito bem, um professor meio enrolão num dos TDs (trabalho dirigido, cd matéria tem essa matéria anexa),mas de resto os professores me parecem muito competentes e mesmo simpáticos. Na sexta dia 9 fui ver O Avarento (L'avare) de Molière na Comédie Française, o teatro mais importante da França, creio eu. O teatro em si é genial, a Sala Richelieu, lindíssima e confortável, o espetáculo então, de tirar o fôlego. No começo foi um pouco difícil entender,mas depois peguei o jeito, por ser um francês diferente do que estou acostumada,é meio complicado.
No sábado em seguida resolvi ir na Feira de Livros Antigos e Usados de Paris, no parque Georges Brassens, que, eu não sabia, era um cantor francês muito querido. Por essas coisas estranhas do destino que vivem me acontecendo em Paris estava tendo uma festa lá em homenagem ao cantor, então pude ouvir algumas músicas e desfrutar do parque de maneira mais especial, inclusive havia uma fanfarra de lycée (o ensino médio daqui) que tocava músicas muito divertidas, dançando e com roupas coloridas, bem diferente da nossa idéia de fanfarra, que, ao meu ver, não evoluiu desde os tempos de Getúlio... Comprei um super pesado e lindo livro sobre cinema por um preço ainda mais super que camarada e saí feliz para passear mais pelo sul de Paris e depois ir, finalmente, a Pierre Hermé, experimentar O macarron.O macarron é a melhor coisa que o ser humano inventou, ok, ok, tem também o bolo, o chocolate, a geléia, o pão, ah, e também a penicilina. Mas O MACARRON do Pierre Hermé de maracujá com chocolate e o de rosas, valeram cada centime!
À noite fizemos por aqui uma soirée com muita comida. Zoé fez crepes de sobremesa (me esbaldei no crepe com Nutella e com confiture), Kioungmi fez um prato coreano delicioso, Soo-ok escolheu um ótimo vinho e eu fiz guacamole sem coentro porque não achei de jeito nenhum isso por aqui =(  Mesmo assim as filles adoraram. Jelena e Noelle juntaram-se a nós e ouvimos muita música, dançando ao som de Spice Girls e It's raining man.
No domingo fui à central de gestão da linha A do RER com o Jean Philippe pela manhã e depois visitamos a Galerie Lafayette...mon dieu, quanta coisa linda. Já tinha ido na Printemps, ver as roupas estilo Sex and the City na sua frente, é lindo. Pena que esse tipo de arte (porque moda É arte) é explorado de maneira extremamente superficial, não reclamo que seja caro, ça va, quadros e esculturas são caras, são peças únicas, objetos de design a gente paga pela idéia, e não pela utilidade, mas o problema é como ela é encarada, triste fim de um sapato Manolo Blanick, ir parar em pés ricos que não compreendem o esforço criador... Depois disso voltei a Montmartre para festa de Vendanges, para a qual não fui suficientemente preparada (meaning:com dinheiro e paciência) e acabei adquirindo somente 4 salames artesanais saborosos, não sabia que teria tanta coisa à venda, desde vinhos de cada região da França, até escargot. Fui com uma garota belga que conheci no curso de francês, que já começou a se revelar um pouco menos simpática e agora nem nos falamos mais, on a coupé le pont! Acho que ela não entende um estrangeiro, é claro que fazemos comparações a todo momento, é natural, pra melhor ou pra pior, é natural, mas ela perdia a paciência comigo e, mais do que eu mesma, achava sempre que estava certa, até quando explicava para Jinlee (uma garota coreana amiga nossa) porque o Brasil mandou soldados para Itália durante a II GM, ela queria apresentar razões muito absurdas e falando que eu estava errada, mas catzo, é meu país né, eu é que sei...
Durante a semana foi o sofrimento de achar um sapato, uma bota, algo impermeável, bonito, confortável e barato. Fui à Place de la Republique, onde há uma rua só com lojas de sapato e não achei nada, botas femininas muito bonitas,mas de salto e não muito práticas. Remarque: todo mundo aqui usa salto alto, pra ir na faculdade, na igreja, no mercado, toda mulher se veste super bem e usa salto, faça chuva faça sol. A história acabou na quinta dia 15, quando comprei uma bota lindíssima da Timberland em Clignancourt, super linda, longa, e que se revelou desconfortável depois, a novela fechou mesmo foi é na sexta, quando troquei por uma bota de caminhada mesmo, mais barata um pouco, na mesma loja, da Caterpilar, com a qual estou muito satisfeita agora.
Nessas caminhadas acabei encontrando, muito por acaso, o lugar onde os irmãos Lumières fizeram a primeira projeção de cinema da história, fiquei toda emocionada diante do prédio, imaginem, a primeira vez que o mundo viu o cinema!
No sábado dia 17 fui ao Jardin de Luxembourg, debaixo de uma baita chuva, encontrar um francês super simpático (e,confesso, muito lindo) que conheci no CouchSurfing e que quer aprender português, empenhado, chegou mesmo com um caderninho, dicionário e caneta. Ganhamos no jardim um vaso de flor, que anima minha casa, tomando frio na janela e dormindo quentinho na mesa, uma flor que se chama "pensamento" aqui, um apelido.
No domingo 18 acordei cedo e peguei a sessão das 9h no cinema do Forum des Halles com a Jinlee para ver Thirst, um filme coreano do mesmo diretor de Oldboy, interessante, reinventando o cinema de vampiro, não conto mais. Depois fomos encontrar com Kyoungmi, Jelena e Zoé para o brunch do CROUS, isso mesmo, o bandejão tem um brunch E, isso mesmo, até os franceses aderiram ao brunch. Por 2,90euros comemos até dizer chega, cereal, queijo, presunto, omelete, batata, croissant, pão, suco, leite...uffa. E tudo super gostoso. Não consegui nem jantar depois. No fim da tarde fui com Jelena e Noelle ver Acossado na Cinematèque (tem lugar mais mítico para ver esse filme mítico?). As meninas não gostaram, mas eu amei o momento, tudo foi lindo e perfeito. "C'est vraiment dégueulasse".
Na segunda fui no quizz do Couchsurfing num pub, já tinha ido uma vez e dessa vez foi ainda mais divertido, mesmo que a equipe em que estava não tenha preenchido quase nada do quizz, nos divertimos muito.
Na terça eu me dei conta de que a família para qual trabalho mora do lado de Montmartre,então antes de buscar as crianças na escola fui no Cemitério de Montmartre "visitar" François Truffaut. Há várias figuras ilustres lá, e tumbas cheias de fru-fru,como a de Dumas que é um absurdo. Achei o cemitério maos parecido com o da Consolação,mais amontoado, porque o de Montparnasse era tudo muito grande. Ainda resta Père Lachaise...Jim Morrinson. Zueira, Piaf e Wilde.
Com as aulas começadas fica mais difícil passear, mas eu recebi finalmente meu Vélib então cada vez que ponho o pé para fora de casa tenho vontade de andar de bicicleta, nem que seja por 200m. Ontem fui com a Zoé na Tour Eiffel às 23h, aniversário de 120 anos da torre, e quando chegamos lá começou a cair o mundo e a festa já tinha acabado, valeu pelo passeio de bicicleta à noite, a vista, a dança na calçada cantando "I sing in the rain, just singing in the rain...". Nessas horas minha super duper capa rosa que chama super atenção por Paris me salva!
Aliás, como tem chovido por aqui, parece São Paulo, e agora o boletim do tempo:
Brincadeira, mas até que saiu um solzinho faz 10 minutos. Vou tomar um café com as tias do Renan que chegaram em Paris. Por falar em café, café noisette é só café com leite, triste,eu achei que tinha alguma coisa a ver com nozes, mas ontem comprei um baguete como nozes maravilhosa, e ganhei um pão au chocolat da Noelle.
Noelle, super fofa, sempre me dá coisas gostosas, chocolates, pão, e quando cozinhamos trocamos um pouco de comida. Agora ela comprou uma máquina de fazer arroz e está super feliz.
Como eu escrevi "super" nesse post. Próximo post: hiper!

Allez, au revoir.